14
Mai 09

 

O meu avô chama-se Eugénio Conceição Gonçalves e esteve na Guerra do Ultramar. Partiu para Angola, dia 21 de Janeiro de 1967, no barco Vera Cruz, e regressou, no dia 27 de Março de 1969.

 

 A primeira semana foi passada no agrupamento Grafanil (Luanda), 8 dias que se passaram a dormir ao relento, por vezes chovendo.

Passados esses dias partiram para Bessa Monteiro, aquartelamento isolado onde permaneceram 15 meses. Estava cercado por arame farpado e armadilhamento. Era necessário fazer 100 km para se reabastecerem, a viagem era longa e feita em JMS, jipes e Bartlie. Às vezes escorregavam por uma ribanceira e ficavam lá até ao dia seguinte. Por vezes, o caminho era tão mau que se demorava 24 horas a fazê-lo. Em Abmizente só se encontrava um local público de brancos.

 

 

 

 

Passados esses 15 meses, mudaram-se para Maquela do Zombo, uma vila perto da fronteira, com pouca população e com muito comércio, feito pelos brancos. Nessa época, fazia anos que tinha arrebentando a Guerra em Angola e foram informados de que iriam ser atacados por 6 mil pessoas. No quartel, estavam cerca de cento e poucas pessoas. Esse quartel já tinha muralha e postos de vigia e ali perto havia um posto de radar que também estava a cargo do batalhão do meu avô. Nessa noite, arrebentou uma mina e todos ficaram alerta, a pensar que já era a guerra e disparar para o ar. Mas, por fim, viram que a mina tinha arrebentado por causa de um javali.

Durante 15 dias, não houve carne nem pão, devido à avaria dos aviões e helicópteros. Tinham de se deslocar a uma vila próxima, para se alimentarem, mas comiam sempre o mesmo arroz de pimento. Durante esse tempo, tinham de lavar o atrelado do lixo, num pequeno rio que ali se encontrava, onde existia um crocodilo.

 

                                                       

   

O meu avô era operador de transmissores e teve de ir montar um rádio num suporte de uma viatura para uma coluna que ia sair para outro quartel. Quando iam a caminho, sofreram uma emboscada: roubaram-lhes o rádio, incendiaram carros e mataram pessoas. Foi morto o motorista de um Bartlei que era um carro principal. Nesse carro principal, seguia um indivíduo que tinha sido castigado e não tinha carta de condução, mas mesmo assim conseguiu levar o Bartlei e ir pedir ajuda ao quartel mais próximo, que ficava a 30 km de distância.

Passado algum tempo, foram até Luanda e embarcaram novamente no barco Vera Cruz. Foi uma viagem difícil, com um mar muito agitado. O Vera Cruz parecia um berço. Quando avistaram terra o “nosso coração logo se alegrou, tinha chegado ao rumo donde abalei” – palavras do meu avô.   

 

 

Jessica Marques

publicado por projecto9b às 12:22

13
Mai 09

 

 

O meu tio José Luís das Neves esteve, no Ultramar, em Moçambique. Partiu dia 5 de Janeiro 1970 e regressou dia 7 de Março de 1972. Embarcou no barco Império que, ao fim de 5 dias, sofreu um rombo só por milagre é que não se afundou. Andaram 24 horas à deriva, no mar, já ia quase a chegar ao Senegal. Ao fim desse tempo, veio o outro barco que se chamava Niassa e demorou 5 dias a rebocá-los. Durante esses dias, foram alimentados só por duas bolachas de água e sal, por dia. Chegaram a Cabo Verde cheios de fome. As pessoas que levavam dinheiro foram comer fora e no dia seguinte estavam todos doentes.

A seguir, partiram novamente no navio Niassa e pararam em Luanda, onde se encontrava um colega do meu tio. O chefe do navio disse que à meia-noite era para partirem e então, como queriam aproveitar o tempo, foram beber.

Quando o barco ia mesmo a partir, o meu tio e mais dois colegas chegaram. Seguiram viagem e só pararam no destino, Moçambique. Atracaram, em Maputo, que naquela altura se chamava Lourenço Marques, onde permaneceram apenas um dia. Mas o meu tio e os colegas ficaram de castigo, por terem chegado atrasados, em Luanda.

Continuaram a viagem durante mais três dias, que terminou na cidade da Beira. A seguir viajaram de comboio, durante mais três dias, com destino ao alto distrito de Tête. No Tête foram mais 3 dias de coluna militar, para chegar ao destino, Vuende. Depois de quarenta dias de viagem, ficaram numa pequena vila onde só haviam dois moradores.

Os colegas do meu tio, que eram atiradores, partiram em operação, durante três dias. O meu tio ficou no acampamento, era o responsável do refeitório e tocava clarinete, mas por vezes a música era diferente e tinha algum receio de tocar. Às vezes acordavam com as metralhadoras a fazer barulho. Estiveram, em Vuende, durante oito meses.

 

 

 

Em seguida, seguiram para construir um novo quartel, em Chizampeta, que era desértica. Ao chegarem lá, foi uma máquina limpar o terreno. Tiveram de dormir em tendas, durante três meses. Viveram ataques, em algumas noites, por parte dos terroristas. Morreu apenas uma pessoa. Foi complicado, porque tinham de fazer o quartel e montar vigia ao mesmo tempo. Passados três meses, já era tudo mais estável. Já estavam no quartel, onde se dormia melhor e mais confortável e ao mesmo tempo construíam abrigos subterrâneos para se defenderem dos ataques terroristas.

“Uns momentos melhores outros piores, mas tudo se passou.” – palavras do meu tio. E assim terminaram a comissão, até que os vieram render, isto em Fevereiro de 1972. Vieram substituí-los e voltaram para Lisboa, no barco Niassa.      

 

Jéssica Marques

publicado por projecto9b às 22:22

A minha avó Maria das Neves fez-me o relato do que era a vida nos séculos 50 a 70.

 

 

 

Alimentação:

Nestes anos, o povo desfrutava da horta que semeava.

Alimentavam-se sobretudo por batatas e couves, mas também comiam algum feijão e grão.

 

 

Tempos Livres:

            Os tempos livres naquela altura era apenas guardarem o gado.

 

 

Saúde:

            Naqueles tempos os dentes eram arrancados a ferro frio.

            Quando as mães não davam leite suficiente para amamentar os filhos, os filhos alimentavam-se através do leite das cabras.

 

 

Educação:

            Obedecia-se sempre aos pais, sem reclamações.

 

Moda:

            A moda naquela altura era muito escassa, só havia duas mudas de roupa durante a semana: uma para a semana na agricultura e nas lidas da casa e outra para os domingos, para irem à missa.

            A minha avó contou-me que quem fazia a roupa dela era a própria mãe.

 

 

Transportes:

            Os transportes eram muito poucos, haviam algumas motorizadas.

            E no meio da década de 70, apareceram alguns autocarros.

                                                                                                                 

 

Comunicação:

            Havia alguns telefones, mas naquela altura ainda muito raros.

            A luz só apareceu, no Estreito, por volta do ano 1969.

 

Jessica Marques

 

publicado por projecto9b às 22:20

12
Mai 09

Vale Ferradas é uma pequena aldeia que pertence à freguesia de Sarzedas, no concelho de Castelo Branco. A minha avó, Lúcia Rodrigues, contou-me como era a vida, nos anos 50, 60 e 70.

 

“Acordava-se de madrugada, isto é, não havia horas, as pessoas não se regulavam pela hora. Normalmente, ao levantar, os homens iam buscar lenha e as mulheres uma canastra de pinhas ou um molho de mato à cabeça.

Quando se chegava a casa, comia-se a dejua (pequeno-almoço). Normalmente era um prato de nabos que sobrava da ceia, cozidos na panela de ferro. No fim de comer, ia-se para o campo: a regar, a sachar, etc.

Vinha-se comer o jantar (almoço). Habitualmente, era uma sardinha para três, com pão centeio escoutchedo (com um buraco entre a côdea e o miolo) ou broa grossa (porque a farinha tinha sido mal moída), batatas fritas às rodelas. Se estas sobrassem, faziam-se velhós e comiam-se à ceia.

Em dias de Verão, a seguir ao jantar, dormia-se a sesta ou iam guardar as cabras. No Inverno, ia-se apanhar a azeitona.

Trabalhava-se até ao pôr-do-sol. Quando se ia para casa, depois de um dia de trabalho, comia-se a ceia, um prato de nabos ou couves cozidos ao lume.

Depois, se não estivesse a chover, ia-se para a rua conviver, se estivesse a chover, ficava-se em casa, ao pé do lume.

Em dias de festa, faziam-se filhós, tigeladas com farinha de milho para ficarem amarelas (quando não havia ovos), trocavam-se os presuntos por toucinho (amarelo e alto porque rendia mais). E, no domingo de festa, fazia-se sopa de grão.” 

 

Mara Ribeiro

publicado por projecto9b às 21:49

 

 

 

Rosa Pereira, a minha avó materna, nascida, na Zebreira, em 1951.

Alimentação

A minha avó conta que a sua alimentação, nos anos 50 e 60, era tudo à base de produtos naturais, vinha tudo da terra fertilizada com o estrume, não tinha quaisquer tipos de adubos. Os comerciantes da Zebreira iam buscar os alimentos à “terra fria”,que são as terras situadas perto do sabugal, de onde traziam feijão, cebolas, grão, batatas, frutas… e transportavam os alimentos até à Zebreira, em carroças puxadas por machos. Estes eram os alimentos que se comiam mais, também devido ao seu preço ser mais barato. Conta que aos Domingos os açougueiros (mesmo que carniceiros), matavam borregos e ela ia a casa deles comprar o “meio arrate” (250g de borrego) que era para toda a família comer a acompanhar no jantar de Domingo. Mais tarde, pelos anos 70, conta que já faziam a matança do porco uma vez por ano, no mês de Dezembro, e que era o governo de uma casa para todo o Verão. Em primeiro lugar era comido o toucinho e as morcelas, os chouriços eram guardados para o farnel dos seus pais que andavam a trabalhar nos campos, a fazer os quintos, ceifar o trigo e o centeio. O seu pai ganhava o trigo, depois levava-o para a fábrica e mais tarde a minha avó e sua mãe iam buscá-lo já moído. Em casa, faziam a massa e depois levavam-na para os fornos dos patrões, onde, ao fim, tinham que dar a poia, ou seja, um pão por fornada. Conta também que vinha à Zebreira, uma vez por mês, o peixeiro, que trazia chicharros e sardinhas e ia comprar 3 chicharros por “25 tostões” (moeda antiga) e meio aquilo de sardinhas por 5 tostões e conta que ainda chegou a partilhar uma sardinha com os membros da sua família, e do resto do meio quilo das sardinhas guardavam-nas para a merenda do dia seguinte. Diz que esta alimentação é mais saudável que a dos dias de hoje.

 

Tempos Livres

Os tempos livres da minha avó eram passados a brincar com os colegas da escola, a dançar, a jogar jogos tradicionais, etc. Mais tarde, pelos anos 70, já tinha mais de 16 anos, fazia o seu enxoval e aprendeu a fazer as coisas essenciais para se casar. Por vezes, ia a ajudar os seus pais na agricultura.

 

Saúde

Devido à alimentação ser mais pura, as pessoas eram mais saudáveis. Mas doença toda a vida houve e conta que, quando as pessoas estavam doentes, o doutor ia a casa das pessoas montado num burro e, quando tinham os dentes podres, o doutor arrancava-os a ferro frio com um alicate. Era ele que fazia tudo, até os partos. Nos anos 50, enquanto andava na escola, diz que levou as vacinas para o sarampo, varicela e outras.

 

Educação

Naquela altura, havia mais respeito. Na escola, quando o professor entrava na sala de aula, os alunos tinham que se levantar, estender o braço direito e começar a cantar o Hino Nacional. Os alunos levavam muitos trabalhos de casa e quem não os realizasse levava reguadas nas palmas da mão, até ficarem vermelhas. Quando se ia ao quadro e não se soubesse algo que o professor perguntasse, levavam com uma vara na cabeça até chegar a pontos de começar a deitar sangue pelo nariz. E afirma que agora também havia de ser assim, porque diz que agora há menos respeito e vergonha.

Moda

Nos anos 60 e 70 foi, quando saiu a moda de usar uma saia curta e sapatos de salto alto, a minha avó ainda adoptou essa moda antes de casar e diz que os homens nessa altura usavam as calças à boca-de-sino e cabelos compridos. Na música, recorda as paixões pelo Rock e a música romântica brasileira, que na altura vieram em grande força.

                                                                                                                   Bruno Costa

publicado por projecto9b às 21:42

       O meu avô que emigrou, em 1969, para a Alemanha. A história foi-me contada pela minha avó, visto que ele já faleceu.

       O meu avô emigrou, para a Alemanha, no dia 10 de Abril de 1969. Segundo a minha avó, ele emigrou, pouco tempo depois de ter vindo da Guerra do Ultramar. Ele emigrou, pois, quando voltou a Portugal, viu que a situação financeira estava má. Ao início, a minha avó não concordou com a ideia do meu avô emigrar, pois eles já tinham dois filhos e vinha um terceiro a caminho. Mas como  a situação financeira estava mal e como ele tinha prometido à minha avó que nunca lhe faltaria nada, nem a ela nem aos filhos, ele decidiu emigrar. O meu avô usava muito a seguinte expressão, para convencer e alegrar a minha avó: "Pode não haver para luxos, passeios e ouro, mas, para dar de comer aos meus, dou a volta ao mundo."

O meu avô já na Alemanha com um dos meus tios

 

 Ivo Oliveira

publicado por projecto9b às 15:29

             Esta história foi-me contada pelo meu padrasto, Manuel Ferreira, que viveu mo lugar Lourosa, antes e depois do 25 de Abril e que assistiu às diferenças de antes e depois do 25 de Abril:

 

 

«No tempo do 25 de Abril, os meus pais trabalhavam em fábricas, mas logo que saíam da fábrica iam para o trabalho do campo, de onde faziam a nossa alimentação.

            Eu, juntamente com os meus irmãos, íamos à escola e, logo que voltávamos a casa, íamos a ajudar os nossos pais no trabalho do campo.

            Antes do 25 de Abril, o transporte mais utilizado e o transporte que quase sempre utilizava para ir para a escola era a bicicleta.

            Neste tempo, havia pouca liberdade. Entre outras coisas, por exemplo, as pessoas não podiam falar mal sobre o governo, porque, se eram ouvidos, eram presos pela PIDE e iam para uns fortes que existiam na altura onde as pessoas eram torturadas.

Em relação ao namoro, também não havia muita liberdade. Eu ainda me lembro da primeira namorada que tive, em que nós tínhamos de namorar às escondidas, pois, se éramos apanhados, éramos castigados. Nesta altura, as pessoas que se quisessem casar já tinham de namorar há bastante tempo e o rapaz tinha que ir falar com os pais da rapariga e pedir-lhes a mão da filha. Mas depois do 25 de Abril, os tempos passaram a ser outros. As pessoas já podiam namorar à vontade.

            Realmente, eu vivi as diferenças de antes e depois do 25 de Abril. Eu posso-vos dizer que, depois do 25 de Abril, a vida mudou muito, foi como se tivéssemos mudado de era… passou a haver mais liberdade de expressão, entre outras coisas.»

 

Ivo Oliveira

publicado por projecto9b às 15:17

09
Mai 09

 

Joaquim Pires dos Reis, Guerra do Ultramar

 “No dia 15 de Janeiro de 1966, nos Escalos de Cima, realizava-se a feira anual que dá pelo nome de Feira de Santo Amaro. O meu namorado, futuro marido, Joaquim da Ascensão Pires dos Reis, recebe a ordem para embarcar para a Guerra do Ultramar. O dia para mim foi de lágrimas, só pensava: Ele abala para a guerra e já não volta mais. A partir desse dia, só nos voltámos a falar por monogramas. Foram dias muito duros, tanto para mim como para ele. No primeiro monograma que recebi, ele contou-me como correra a sua viagem até Angola. Nos seguintes, contava-me como decorriam os dias.

 

Companheiros de guerra a passar o tempo

 

Durante o resto do tempo em Angola, contava-me os poucos serviços que fazia nas ruas e contava os dias para voltar a Portugal.

Só passados alguns anos da sua chegada é que começou a falar mais abertamente do que se tinha passado e do que tinha assistido. Contava que no meio do mato havia autênticos massacres de civis e por vezes até mesmo militares. Assistiu à morte de vários colegas e sempre com medo de ser o próximo.”

 

Casamento, 28 de Julho de 1968, logo após ao seu regresso

 

Amélia Reis

Adaptado por Ana Almeida

publicado por projecto9b às 10:18

     A minha mãe, Vivina Pina, nasceu em 1968 e passou a sua infância na aldeia do Rosmaninhal, concelho de Idanha-a-Nova. Foi lá que, em 1974, começou a Escola Primária. Vivia com os meus bisavós maternos, já que os meus avós maternos estavam emigrados em França.

     A minha mãe conta que gostou muito da sua infância e foi muito feliz, apesar de viver numa aldeia pequena.

     A nível da alimentação, naquela altura, os meus bisavós tinham animais domésticos: porco, do qual se faziam enchidos, tinha galinhas, coelhos e também tinham horta. Uma vez por semana ia uma carrinha com fruta e com peixe, mas o que se tinha em casa escusava-se de comprar.

     Quanto aos tempos livres, a minha mãe lembra-se que os passava a ver televisão a preto e branco ou a brincar, na rua, vários jogos: às escondidas, à apanhada, ao mocho, ao berlinde, tudo servia. Ela diz que era uma “maria-rapaz”. Mas também ajudava os meus bisavós, quando ia a buscar agua à fonte, pois naquela altura não havia água canalizada.

     A minha mãe lembra-se que havia um médico a dar consultas na Casa do Povo, não sabe quantas vezes por semana. Também havia outro médico já idoso lá da aldeia, que dava consultas em casa e as pessoas pagavam-lhe com bens que tinham e não com dinheiro. A minha mãe, uma vez, queimou um pé com água a ferver, quando caiu uma panela que estava à lareira, e teve que ir ao médico. Ela ficou sem andar durante uns tempos, mas nunca faltou à Escola, pois era tão perto de onde ela morava que duas colegas dela, duas irmãs gémeas, iam buscá-la a casa. As gémeas cruzavam os braços e faziam cadeirinha, para a minha mãe se sentar. Ainda hoje a minha mãe fala deste episódio com carinho. À escola, também ia uma carrinha de vez em quando com uns enfermeiros, para verem se as crianças tinham as vacinas em dia. A minha mãe conta que ficavam muito nervosos quando viam as batas brancas.

     A minha mãe fez os actuais 1.º e 2.º ciclos na aldeia, na Escola Primária até ao fim do 4.º ano e depois na Telescola. Aqui, tinha duas professoras, mas davam as aulas pela televisão. Cada disciplina tinha um professor a explicar e os alunos tinham que repetir. Quando acabava a aula, tinham as professoras presentes, para explicarem o que os alunos não perceberam e faziam fichas. Quem tivesse doente, podia acompanhar as aulas em casa.

     Em relação à moda, não se ligava muito a isso. Tinham a roupa de todos os dia e depois tinha-se sempre uma saia ou um vestidinho melhor para os Domingos. Comprava roupa nova na Páscoa e no Natal e a minha mãe tinha sorte, porque os meus avós mandavam sempre encomendas de França.

     Falava com eles pelo telefone de um taxista que vivia perto da minha mãe. Os meus avós, mais ou menos de 15 em 15 dias, telefonavam de França para a casa do taxista, para falar com a minha mãe e os meus bisavós.

 

 

 

A minha mãe Vivina Pina

 

 

 

Nuno Carvalho

publicado por projecto9b às 09:55

06
Mai 09

 

Memórias do 25 de Abril de 1974

O dia 25 de Abril de 1974 era mais um dia de trabalho para o Sr. Luís, bancário, em Lisboa.

Durante todo o dia, ele ouviu rumores de que tinha havido qualquer alteração política na Baixa.

 

Lisboa, 25 de Abril de 1974

 

Quando saiu do trabalho, passou pelo quartel da GNR e saiu de uma das janelas um cinto, que lhe bateu na cabeça e o tombou para o chão. Foi nesta altura que se apercebeu de que algo se estava a passar, pois não era muito normal voarem cintos da janela do posto da GNR. Ele nem sequer se atreveu a pegar no cinto, com medo que a PIDE o prendesse. Levantou-se e seguiu o seu caminho, sem sequer dizer uma palavra.

Só no dia seguinte é que ele soube que tinha havido uma revolução militar contra o Estado Novo.

 

 

Filipe Rodrigues

publicado por projecto9b às 19:14

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