26
Mai 09

A minha tia-avó, Ilda Vicente Romão, é viúva do ex-sargento Ernesto Romão, que esteve em Angola entre 1969 e 1974.

Em Abril de 1969, Ernesto Romão é enviado para Angola, em serviço militar. A minha tia-avó viu-se obrigada, então, a ir para lá com uma filha, na altura de 4 anos.

O meu tio-avô tinha lá uma casa alugada. Estiveram ao todo 5 anos em Angola, 2 em Luanda e 3 em Dalatando (antiga Salazar). A vida deles, em Angola, era super descansada. Todos os sargentos tinham direito a um empregado. Como a minha tia-avó não queria ninguém dentro de casa, a fazer as coisas por ela, este empregado rapidamente passou a jardineiro. Aos domingos, juntavam-se muitos vizinhos e amigos e iam passar o dia às fazendas do Estado. Levavam a comida e faziam a festa toda. Faziam estas festas, quer em Luanda, como em Dalatando. Ao contrário de Portugal, os preços em Angola eram muito baixos.

Quando se mudaram para Dalatando, a viagem de autocarro entre Luanda e Dalatando foi escoltada por militares, o caminho todo. De início, ficaram numa casa que pegava com uma das sanzalas dos nativos daquela zona. Passado algum tempo, mudaram-se para a avenida principal de Dalatando, onde tinham tudo: cinema, escola, um colégio de freiras, os legionários e ainda uma igreja.

Então, em Abril de 1974, dá-se o 25 de Abril e, como o meu tio-avô, a maioria dos soldados em Angola começou a tratar das coisas para voltar a Portugal. Os meus tios chegaram cá, em Junho desse mesmo ano.

 

 

 

 

Anaísa Santo

publicado por projecto9b às 18:42

25
Mai 09

Testemunho de Maria Manuela Costa:
No dia 25 de Abril de 1974, era eu uma jovem que frequentava o 6º Ano (equivalente ao 10º ano) do Liceu Nun’Álvares, em Castelo Branco.
Quando me levantei, nesse dia, algo de estranho se passava…
A minha mãe, tal como fazia todas as manhãs, tinha ligado o rádio, mas apenas se ouvia música clássica, nem uma palavra, nem notícias…nada! Fiquei bastante intrigada! Normalmente, a rádio passava música diversa e às 8 horas surgiam sempre as notícias… Mas naquele dia… só música clássica! Ainda comentámos se teria morrido algum governante, pois esse era o procedimento das rádios quando algum óbito ocorria entre “gente importante”.
Saí de casa rumo ao Liceu e fui para a aula de Matemática. Durante a aula, um colega pediu à professora para sair, com o pretexto de que ia à casa de banho. Quando regressou, começou um “sussurro” na aula que se ia generalizando… até que a professora questionou sobre o que se passava. Foi então que esse meu colega disse que havia uma revolução, em Lisboa. Começámos todos a conversar uns com os outros, a professora foi dando umas achegas… mas a verdade é que ninguém sabia ao certo o que estava a acontecer.
Soube mais tarde que esse colega era já uma pessoa mais informada politicamente e que tinha colaborado algum tempo antes numa acção que tinha consistido no “aparecimento”, no pátio do Liceu, de uns folhetos com propaganda anti-governamental.
Mas voltando ao dia 25 de Abril… Quando saímos da aula de Matemática, estávamos todos muito ansiosos e curiosos sobre o que se estaria a passar. Já era então voz corrente que havia uma revolução em Lisboa.
As restantes aulas da manhã decorreram com normalidade, mas o assunto do dia era a “revolução”.
Lembro-me que, à hora de almoço, a minha mãe já não queria que eu fosse às aulas, na parte da tarde, podia ser perigoso, dizia ela, nunca se sabe o que pode acontecer numa escola quando há uma revolução no país. Eu devia era ficar em casa sossegadinha, era mais seguro. Eu insisti e lembro-me de dizer: Mãe, em Lisboa deve andar toda a gente na rua a festejar e nós aqui tão longe!...
Acabei por ir para o Liceu, mas as aulas da tarde foram canceladas e então aproveitámos para conversar sobre o que estava a acontecer. A verdade é que, numa pequena cidade do interior, como Castelo Branco, a informação era escassa, mas de uma coisa tínhamos a certeza: algo estava a mudar.
A generalidade dos jovens da minha idade estava muito pouco informada sobre política e, no meu caso, se alguma coisa sabia isso ficou a dever-se ao facto de eu e as minhas amigas termos alguns “pen-friends” de outros países da Europa, com quem trocávamos correspondência havia já algum tempo. Um desses “pen-friend” era francês e numa das cartas perguntava qual o partido político que estava no governo e quais os partidos da oposição, em Portugal. Confesso que ficámos surpreendidas com estas perguntas e foi isso que nos levou a fazer alguma pesquisa sobre o assunto, para podermos responder ao amigo francês. A conclusão a que chegámos, na altura, é que o único partido era o do governo. Grande surpresa para o francês… como devem calcular.
Mas naquela tarde do dia 25 de Abril, em que não houve aulas, tudo começou a fazer sentido, lembrámo-nos da conversa com o francês e começámos a admitir a possibilidade de estar a chegar ao nosso país um regime democrático… como aquele de que o francês nos tinha falado nas suas cartas.
Só ao fim da tarde é que a RTP transmitiu um comunicado lido por José Fialho Gouveia, que dizia: “O Movimento das Forças Armadas” – MFA – na sequência das acções desencadeadas na madrugada de hoje com o objectivo de salvar o País do regime que há longo tempo o oprime…etc, etc…
Só mais tarde, a televisão mostrou as imagens da população de Lisboa, numa grande euforia, acompanhando os militares, pelas ruas, correndo até algum risco de vida. Lembro-me das imagens do Largo do Carmo: a multidão a apoiar os militares, até em cima das árvores havia gente, um grande entusiasmo, palavras de ordem… “O povo, unido, jamais será vencido”, “O povo, unido, jamais será vencido”…
Ao longo da noite, outros comunicados do MFA foram divulgados pela televisão e pela rádio. A mensagem era de que as Forças Armadas tinham libertado o país do regime ditatorial até então vigente e que não tinha sido derramado sangue (soubemos mais tarde que não tinha sido exactamente assim) e que os populares tinham oferecido cravos aos militares, tendo-os colocado nos canos das espingardas – daí a designação de “Revolução dos Cravos”
 
Pedro Costa

 

publicado por projecto9b às 23:22

 

Nome: Francisco dos Santos Cotovio
Data de nascimento: 30 de Maio de 1930
Naturalidade: Cafede
Residência: Castelo Branco
Profissão: Barbeiro (reformado)
 
Naquele dia 25 de Abril de 1974, a televisão e a telefonia, tudo a alta voz, gritavam “Revolução! Fim à ditadura”.
No meu estabelecimento de barbearia, não se falava de outra coisa.
Com o 25 de Abril, terminou o regime de ditadura e veio a democracia; Todos nós ficámos surpreendidos com estas notícias, pois nunca tínhamos ouvido falar destes assuntos.
Com a democracia, muita coisa mudou:
Regressaram os que se tinham ausentado do país por não concordarem com as leis impostas pelo governo e que tiveram de ir para outros países e viver lá, longe das suas famílias. Voltaram depois do 25 de Abril, quando sentiram que já não seriam castigados se voltassem à sua terra.
Os grandes milionários perderam a voz da arrogância, porque só eles queriam mandar. Os proprietários abastados das grandes propriedades perderam o privilégio de quererem tudo para eles.
O novo regime, ou seja, a democracia, veio dividir mais os bens e os lucros foram mais divididos por quem trabalhava e os novos governos estabeleceram o ordenado mínimo.
O povo também ajudou e não entrou em guerra.
O povo comum falava em votar, coisa que muitos nunca tinham ouvido falar, mesmo pessoas de uma certa idade já avançada não sabiam o que era votar.
Também se formaram os partidos políticos que muitas pessoas nem sabiam o que eram! Havia uma grande confusão entre as pessoas, porque o que para uns partidos estava bem, para outros estava mal. Por isso, cada um dava a sua opinião e todos achavam que tinham razão. Esta foi uma grande mudança, porque antes do 25 de Abril não havia liberdade para cada um dizer ou expressar as suas ideias e as suas opiniões, nem as pessoas se podiam juntar, nem fazer reuniões, porque isso era contra a lei;
Também os jornais passaram a poder publicar livremente as notícias que achassem melhor, sem estarem sujeitos à censura.
 
Pedro Costa
 

 

publicado por projecto9b às 23:20

A minha avó vivia em Castelo Branco, mas o meu avô sofreu um acidente de mota, em Alcains, teve muitos problemas numa das pernas e foi internado em Carcavelos. Por isto, ela teve de ir viver temporariamente para Alcochete, em casa da sua prima Lucília, para poder ir visitar o meu avô todos os dias, porque ele ficou internado durante nove meses.

Quando o acidente aconteceu, ela estava grávida de nove meses e sete dias. Antes de ir para Carcavelos, nasceu a minha mãe. Tudo isto aconteceu em Setembro, mas passaram lá o 25 de Abril, onde assistiram à “Grande Revolução”.

A minha avó acordou e, logo pela manhã, ouviu na rádio os generais a dizerem para as pessoas se manterem calmas e para não saírem de casa. Não havia notícias na televisão, só cantavam unicamente “Grândola Vila Morena”. Ouviu-se esta música durante todo o dia. A minha avó nem foi ver o meu avô neste dia, nem saiu de casa, com medo à Revolução.

Estava toda a gente com medo, por causa da PIDE, inclusive um primo e um tio da minha avó. A minha avó tinha imenso medo, porque tinha ouvido dizer que os da PIDE, como castigo, cortavam de dedos e arrancavam as unhas e até os dentes.

Contudo, a minha avó acha que o 25 de Abril foi muito bom, porque acabou com a censura e proporcionou muito mais Liberdade ao povo.

 

A minha avó, o meu tio Paulo, o primo Antero (forcado em Alcochete), a minha tia Anabela e a prima Lucília.

Ana Filipa Costa Esteves

publicado por projecto9b às 19:25

O meu tio José Manuel Domingues dos Santos partiu para a Guerra do Ultramar, a 5 de Fevereiro de 1969, para a Guiné.

O barco em que partiu tinha o nome de Uíge. O meu tio diz que era um barco com gente a mais, água por todo o lado e pessoas enjoadas por nunca terem andado num barco. Comiam, bebiam água e dormiam, isto durante sete dias. Diz também que foi uma viagem muito cansativa. Quando chegou, viveu muitas histórias. Em Bissau, trabalhava com o rádio, para ver se estava tudo bem com os seus companheiros.

Para desabafar o que sentia e vivia, escrevia no seu diário.

Voltou, para Portugal, em Março de 1971.

O Uíge

 

O meu tio a trabalhar na rádio

 

 

Diário de um soldado na Guiné:

“Fogo”

“O Unimog deixa atrás uma nuvem de poeira que derivado ao ar pesado vai demorar a pousar no chão. Corremos uma estrada poeirenta, como são as estradas no mato. Dos lados da estrada é só matos e o carro desloca-se com grande rapidez, levantando uma nuvem de poeira. O carro desloca-se em zig-zag pelo meio das árvores. Ao longe, por cima da copa das árvores, erguem-se nuvens de fumo, colunas de fumo erguem-se para o céu. O carro avança rapidamente, dali a pouco o cheiro a fumo entra-nos pelas narinas e de repente as chamas surgem de ambos os lados da estrada, como que tentando fazer parar a nossa marcha.
Alguém diz “Atenção às chamas!”, e todos se encolhem, enquanto aguentam a respiração e o carro sem se deter na velocidade atravessa as chamas e o calor aumenta subitamente de volume e nós vemo-nos envolvidos pelas chamas e pelo fumo. O carro continua a rápida corrida, enquanto todos sacodem as roupas e cada qual procura que o lume não chegue às armas. O ar torna-se quentíssimo e cheio de fumo, enquanto os fogos vêm surgindo uns após os outros. Enquanto isto tudo, nós pensamos “Oxalá arda tudo.”. Sim, nós ainda nos alegramos com o incêndio, pode-se dizer que nós vamos contentes ao atravessarmos as chamas e não pensamos nas árvores e nos bichos que fogem.
Pensamos é nos bichos que as matas escondem, bichos humanos, que se entretêm a espalhar o terrorismo…”

Guiné, 25 de Janeiro de 1970

O soldado: José Manuel Domingues dos Santos

 

O meu tio na Guiné

 

 

 

Cristele Frade

publicado por projecto9b às 19:21

24
Mai 09

Este é o relato da vida na aldeia do Maxial do Campo, contada pelo meu tio Amadeu Martins:

“Na minha aldeia, as pessoas levantavam-se todos os dias ao nascer do sol e tomavam o pequeno-almoço, que costumava ser sopa de nabo ou então de couve. Os pastores saíam com os rebanhos para as pastagens, mas antes, de madrugada, já tinham ido cortar mato para fazerem a cama dos seus animais. Os homens trabalhavam de sol a sol e as mulheres tratavam da vida da casa, dos animais e da horta. Vivia-se essencialmente da agricultura e da pastorícia.
Os porcos eram comprados de pequenos e depois eram bem alimentados, para, no Inverno, serem mortos e se fazerem enchidos. Parte do porco ia para a salgadeira, onde era conservado, para dar para o resto do ano.
Havia um grande espírito comunitário, como por exemplo na colheita da azeitona, no desencamisar a maçaroca do milho e no moer o centeio e o trigo. Isto era feito por diversas pessoas da aldeia e depois trocavam alimentos entre si.
Nas noites de Verão, as mulheres juntavam-se, umas quantas em cada rua a fiar, o linho, com os filhos à sua volta a brincar. Havia um forno comunitário, onde as mulheres da aldeia coziam o pão, um moinho movido com água do ribeiro e um lagar comunitário. Quando estava a sair o azeite, fazia-se a tibórnia: molhava-se o pão torrado em azeite ainda quente.
As pessoas vinham à cidade uma vez por ano ou então não vinham. O seu meio de transporte era o burro ou, muitas das vezes, vinham a pé. Naquela altura, ia uma peixeira à aldeia, semanalmente, com um cesto à cabeça, a vender sardinhas e chicharros. Uma sardinha dava para 3 ou 4 pessoas.
As mulheres iam à fonte com talhas à cabeça. As raparigas mais novas, nestas idas à fonte, aproveitavam para namoriscar. Os jovens, quando começavam a namorar, faziam-no com a rapariga à janela. A autorização dos pais da rapariga, muitas vezes dependia dos bens que cada um tinha. Contava as oliveiras, os terrenos…
Na saúde, as pessoas tratavam-se com chás, mesinhas e coisas naturais/caseiras. Só quando estavam num estado muito adiantado da doença é que iam para o hospital. Para se deslocarem ao hospital iam de carroça e só mais tarde é que passou a haver ambulância, que era chamada por um único telefone público. Muitas das vezes, quando as pessoas estavam próximas da morte, tomavam canja de galinha.
Relativamente aos nossos tempos livres, só os havia no domingo ou em dias de festa. Jogávamos ao pião, ao berlinde e íamos aos pássaros com o costil. As pessoas iam à missa com o fato domingueiro. Os homens iam para a taberna ou então andavam de adega em adega, enquanto que as mulheres cavaqueavam entre elas. No Verão, íamos para a ribeira tomar banho, enquanto as nossas mães lavavam a roupa. As raparigas começavam desde muito novas a ajudar nas lides caseiras, ficavam em casa a bordar, ou a fazer bonecas de farrapos, com as quais brincavam, quando tinham tempo. As mulheres casavam aos 16/18 anos e tinham sempre muitos filhos.
A escolaridade era até à 4ª classe, mas só algumas pessoas a concluíam. A maior parte dos professores eram regentes, só tinham a 4ª classe. A educação era muito violenta. Quando os alunos não faziam os deveres em condições ou se portavam mal, levavam reguadas. O meu pai foi a 1ª pessoa a fazer a 4ª classe e escrevia cartas, muitas das vezes para as namoradas daqueles que não sabiam ler nem escrever. Eram poucas as pessoas que acabavam a 4ª classe.
A maior parte das mulheres não iam à escola e as que iam faziam apenas a 1ª ou a 2ª classe. As raparigas mais velhas nem sequer iam à escola, porque tinham que tratar dos irmãos.”

 

 

Sara Morera

publicado por projecto9b às 20:41

     A minha avó materna

 

      Maria de Jesus Fraqueiro Coelho Afonso nasceu a 8 de Abril de 1944, em Aldeia de Santa Margarida, concelho de Idanha-a-Nova.

      Contou-me que a sua alimentação era à base do que cultivava: batatas, cebolas, feijões. Naquele tempo, cultiva-se pouco, porque toda a gente fazia horta, sobrando poucos terrenos.

      Comiam "sopas de cavalo cansado", que era uma tigela com água, vinho e açúcar, a que juntavam pão centeio.

      Na aldeia havia uma mercearia e uma sardinheira e, quando podiam, compravam uma sardinha, que geralmente tinha de dar para três pessoas.

      Quanto à moda, disse-me que tinha duas mudas de roupa, a do trabalho e a dos domingos, a qual levava à missa e aos bailes.

      Os primeiros sapatos que teve foram ao doze anos e eram feitos de farrapos.

      Como não haviam luz nem água, tinham candeeiros a petróleo e água tiravam-na dos poços.

      As pssoas acordavam por volta das seis horas da manhã e deitavam-se logo que se fazia noite.

      A minha avó só ia à escola uma vez por semana, pois, nos outros dias, tinha de guardar as ovelhas, das quais tiravam leite para fazer queijos para venda.

      Quanto à medicina, na aldeia não havia nenhum médico e, sempre que precisavam de qualquer coisa, montavam-se no burro e iam a Idanha-a-Nova.

      Nos tempos livres, a minha avó ia a bailes e, enquanto guardava as ovelhas com os seus irmãos, montavam-se nelas e faziam corridas.

 

 

Rodrigo Gonzalez 

 

 

 

publicado por projecto9b às 20:39

"Eu, José Matos, emigrei para Alemanha, em 1960.

Emigrei por várias razões. Uma delas foi, como era comum em quase toda a gente que emigrava, para procurar melhores condições de vida. Uma segunda razão, pela qual emigrei, foi que eu não concordava com algumas ideias e leis do Governo de Salazar e comecei a ser perseguido pela PIDE. Ora, como estava a ser perseguido pela PIDE e como não queria ser preso, tive de fugir e então aproveitei e fui para a Alemanha.

Depois de lá estar, ajudei dois amigos meus a emigrar também. Foram eles o Sérgio Augusto Vilaça Ferreira (avô do Ivo) e o Manuel Machado."

 

Eu, com o meu amigo Sérgio Vilaça e família, já na Alemanha

 

 

Ivo Oliveira

publicado por projecto9b às 20:25

O meu tio João tinha 17 anos e frequentava na época, o 6º ano do liceu, quando se deu o 25 de Abril, ele nos vais dizer o seu testemunho:

 

«Tive conhecimento do que se estava a acontecer através do meu professor que na manhã de 25 Abril entrou eufórico pela sala de aula com um rádio a pilhas de baixo do braço.

Durante a aula, íamos ouvindo as notícias que consistiam na divulgação dos factos acontecidos e perspectivas daquilo que iria acontecer. E o que é que acontecera?

Durante a madrugada e depois de terem sido dados sinais, via rádio, as músicas, “Grândola Vila Morena” e “Depois do Adeus”, um grupo de militares. Chefiados pelos denominados Capitães de Abril, marcharam sobre Lisboa com o objectivo de revolucionar o país, necessitando, para isso, de derrubar a ditadura fascista. Com a tomada da rádio, da televisão e do Quartel do Carmo, os Capitães de Abril anunciam ao povo português e ao mundo que a ditadura caíra, que iria haver democracia, liberdade, igualdade de oportunidades e que a Guerra Colonial terminaria.

Vivi o 25 de Abril de 1974 e os dias, meses e anos subsequentes, com muita alegria e esperança de um futuro melhor, quer para nós portugueses, quer para o mundo. Com este passo histórico, senti e notei que, sobretudo os outros países europeus, nos começaram a ver com outros olhos e a vida dos portugueses em geral melhorou em muitos aspectos. Verifiquei também que, nestes primeiros momentos da Revolução, os apelos à união, à concórdia e à junção de esforços e ideias eram constantes. Com muito entusiasmo, participei em manifestações, comícios e sessões de esclarecimento, dinamizados por partidos políticos diferentes. Gostava de os ouvir a quase todos.

O 25 de Abril não me apanhou de surpresa. Aquilo que aconteceu já era esperado por mim e por muitos outros. Foi naquele dia, mas poderia ter acontecido antes ou viria a acontecer mais tarde. No meio de tudo isto, surpreendeu-me sim a forma ordeira e sensata como decorreram os factos.»

  

Fig.1- Os jovens em manifestação.

João André

publicado por projecto9b às 12:01

21
Mai 09

 

Entrevistei a minha avó e fiz-lhe algumas perguntas sobre como era a vida na aldeia de Adgiraldo, onde ela mora, actualmente.
"Nos anos, 60-70 não havia automóveis como nos dias de hoje, as pessoas deslocavam-se principalmente em transportes públicos, a pé e de bicicleta.
         Nessa altura, as pessoas passavam grandes dificuldades, famílias numerosas e escassez de comida obrigavam a grandes sacrifícios. O que mais se podia comer era as hortaliças criadas nas próprias hortas, carne de porco muito escassamente, peixe principalmente a sardinha que ainda tinha de ser dividida, havendo famílias que tinham de dividir uma sardinha por 3 pessoas, o pão era de fabrico caseiro e feito de trigo ou milho proveniente da searas das próprias pessoas. Tinham moinhos movidos a água para fazer a farinha, tudo era feito manualmente. O pão servia, muitas vezes, como moeda de troca por outro alimento aos vizinhos.
         Nos tempos livres, na minha aldeia, brincávamos na rua com cacos de pratos, coisas velhas, bonecas de trapos e carrinhos de pau, tudo feito por nós, pois não havia dinheiro para brinquedos.
         As pessoas, nessa altura, trabalhavam o linho para fazer o vestuário, tinham teares para fazer as suas próprias mantas de fitas, tudo era pensado de forma a rentabilizar ao máximo, ou seja, lutavam pela sobrevivência. Tempos muito difíceis!"
A casa da minha avó, em Adgiraldo. 
Samuel Pires
 
publicado por projecto9b às 22:53

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