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“Joaquim” era um homem simples, recatado e bastante reservado.

Esteve em África como militar de depois regressou a Portugal, onde passou a exercer a profissão de mecânico.

Em 1969, influenciado por colegas ou por um ordenado aliciante, resolve inscrever-se para a PIDE. A família tentou dissuadi-lo, opondo-se à ideia. Contudo, nada puderam fazer, os valores monetários falaram mais alto. Após concurso, é aceite e dá inicio à recruta, em Setembro de 1969. Esta recruta durou cerca de 3 meses.

Começou então a exercer funções, em 1970, como membro oficial da PIDE. Ao Jurar Bandeiras, foi obrigado a assinar um documento sobre compromisso de Honra, onde declarava: “não ser Comunista e jura fidelidade absoluta ao Estado”

Tinha como função espiar. Recebia ordens para investigar pessoas, as quais supostamente conspiravam contra o Estado. Diariamente, apresentava um relatório sobre a investigação ao seu superior, na sede do distrito a que pertencia. Neste caso, “Joaquim” pertencia à sede de Lisboa, sita na rua António Maria Cardoso, ao pé do Teatro São Carlos.

Tal como todos os membros da PIDE, “Joaquim” tinha o seu “n.º vermelho” no BI Civil. Enquanto membro da PIDE, infiltrou-se em todo o tipo de meios sociais, inclusive em locais onde tinha amigos, pois a sua função assim o exigia.

No meio familiar, não havia conversas sobre a sua profissão. Os seus pais nunca souberam o que ele fazia ao certo, sabiam que era membro da polícia e ficava por ali. Contudo, a sua profissão em nada modificou a sua vida particular.

Em 1974, ao dar-se o 25 de Abril, “Joaquim” foi preso e levado para a penitenciária de Lisboa, onde permaneceu cerca de meio ano. Durante esse tempo, “Joaquim” recebeu a visita de familiares, que constataram que não se encontrava maltratado, pelo menos a nível físico, ao contrário de outros membros. Mas não recebia a totalidade dos bens alimentares e outros bens de primeira necessidade. Os que recebia, chegavam em muito mau estado.

Após a libertação, “Joaquim” resolveu emigrar para a Venezuela e refazer a sua vida. 

 

Prisão de um agente da PIDE, pelos militares, após o 25 de Abril.

 

 

Anaísa Santo

publicado por projecto9b às 20:32

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