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O meu tio Victor João, aos vinte anos, iniciou o serviço militar, em Santarém, no dia 15 de Abril de 1971.
Depois da recruta, foi-lhe atribuída a especialidade de Transmissões, denominada de Operações de Mensagens.
Esta era uma especialidade de grande responsabilidade, pois tinha a ver com todo o mundo de comunicações e mensagens da vida militar, com graus de classificação como Muito Secretos, Secretos, Reservados e Confidenciais.
Para desempenhar as funções atribuídas pela sua especialização, era preciso reunir determinadas condições, como relata o meu tio:
“Tive conhecimento, mais tarde, de que a PIDE andou, em Rio Maior, a tirar informações de quem era o Vítor João Aguiar Fernandes Correia, não fosse haver alguma incompatibilidade política da minha pessoa ou família, com o poder político de então, para poder ter a especialidade que me tinha sido atribuída.”
No dia 15 de Outubro de 1972, embarcou no Aeroporto de Figo Maduro, num Boeing da Força Aérea, com destino a Nampula.
Desempenhou as suas funções de Operador de Mensagens do Exército, com o posto de Furriel Miliciano, no Comando Chefe da Região Militar de Moçambique, onde trabalhava em conjunto com elementos da Marinha Portuguesa, profissionais altamente qualificados na especialidade de comunicações, uma vez que tinham formação a nível da NATO, sob o comando do General Comandante-Chefe Kaúlza de Arriaga, tendo tido, como camaradas, oficiais bem conhecidos dos meandros políticos de hoje, como o Capitão Mira Amaral, o Major Tomé, o Capitão Jaime Neves dos Comandos e muitos outros que por lá passaram, bem conhecidos.
Um dos momentos mais marcantes da sua permanência, em Nampula, passou-se num dos dias em que estava de serviço. De um momento para o outro, houve uma ordem superior para que as portas do Quartel-General fossem encerradas, sem se saber quais os motivos para tal procedimento. Poucos momentos depois, soube-se os motivos: havia uma manifestação de toda a população da cidade de Nampula, por via de um manifesto que o Bispo de Nampula, Dom António Vieira Pinto, havia escrito, e que fora tornado público, e onde este defendia as políticas do movimento da Frente de Libertação de Moçambique, a FRELIMO, em detrimento das posições da defesa nacional. Foram momentos de grande tensão, tendo inclusive havido uma distribuição de armas pelos próprios militares dos serviços administrativos do Quartel-General, “não fosse o diabo tecê-las…”
   A sorte e salvação do Bispo de Nampula deveu-se a uma pronta e eficaz intervenção da Força Aérea Portuguesa. Veio-se mais tarde a saber que o então Comandante da Região Aérea de Nampula, General Diogo Neto, ao tomar conhecimento da situação, conseguiu recolher Sua Eminência, a tempo de a colocar a salvo num avião, que veio a aterrar entre a Beira e Lourenço Marques, colocando assim a salvo a vida de Dom António.
            A vida militar em Moçambique também proporcionou momentos de lazer e convívio muito agradáveis, dos quais, salienta o meu tio, as férias (25 dias), em Lourenço Marques, foram inesquecíveis.
            Terminado o tempo de comissão de serviço, embarcou de avião de Moçambique, no dia 31 de Outubro de 1974, e cheguei ao Aeroporto de Figo Maduro, no dia 1 de Novembro dia de Todos os Santos, pela uma hora da madrugada.

            Terminou oficialmente o serviço militar, em Dezembro de 1974.

 

 

Especialidade de Transmissões

 

Cemitério

 

O melhor amigo… “Kaiser”.

Nampula – 1973

Convívios – Batalhão de Transmissões

 

Nampula: “ O Árabe de Rio Maior”, 1973
                                                                                                Joana Sousa
publicado por projecto9b às 23:10

Na qualidade de MACUA, genuíno, apreciei o texto muito esclarecedor do percurso militar do Victor João. Passámos pela mesma especialidade e no mesmo período. Eu, fui colocado como furriel de transmissões de engenharia, e criptologia na C.CAÇ.VILA CABRAL, no Catur. Passei à disponibilidade em Out/74 no C.Instrução Militar do Namialo. A intervenção que pretendo é sómente, para fazer uma ligeira rectificação. O Bispo de Nampula, D. António Vieira Pinto, responsável por alertar os civis residentes da possivel proximidade de altercações e revoluções políticas que iríam passar pela auto-determinação e independência do Ultramar, foi obrigado a apresentar-se ao cardeal em Lisboa. Alguns padres, freiras e leigos esses sim por atitudes comunistas é que receberam ordem de expulsão pela população civil e recambiados para Lisboa, mas em avião civil - da DETA - a ordem publica foi assegurada pela PSP e a tropa não teve qualquer interferência, senão de prevenção no QG. O bispo assim como nós que lá nascemos, desejávamos o fim da guerra e até a independência. O que infelizmente veio a suceder foi uma catastrófica traição. E os responsáveis estão impunes. Deus tomará conta deles um dia. Mário Soares, Rosa Coutinho & Comp.
Helder Ferreira a 12 de Agosto de 2010 às 23:16

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