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Jun 09

 

         A minha mãe em 25 de Abril de 1974 tinha 11 anos e estudava num colégio interno de freiras, situado em frente ao jardim S. Pedro de Alcântara (bairro alto, Lisboa).

         Nesse dia não houveram aulas porque os professores não vieram, estavam apreensivos e ninguém saía à rua com medo do que poderia advir de toda a situação que se passava nas ruas da baixa Lisboeta.

Todas as portas e gradeamentos do colégio foram fechados.

Nas primeiras horas da manhã ninguém sabia o que estava a acontecer, o Rádio Clube

Português transmitia comunicados e músicas diferentes.

A minha mãe e algumas colegas, às escondidas, foram espreitar à janela para ver o movimento da rua e uns senhores que trabalhavam nuns escritórios do edifício em frente, apavorados, mandaram-nas recolher e fechar as janelas, continuaram sem nada saber.

Através da rádio acompanhavam o desenrolar da situação.

No dia seguinte durante as aulas os professores relataram o sucedido.

A partir daí vivia-se um clima de suspeição por ser um colégio de freiras podia haver retaliações. Porque era uma revolta contra o estado actual e a igreja era considerada fascista.

A ocupação das instalações da rádio Renascença fora um exemplo disso (os meus avós de Rio Maior vieram até Lisboa juntamente com outras pessoas contestar este facto).

No domingo seguinte, a minha mão foi passear com o tio e viu de longe os tanques de combate e todo aquele aparato no convento do Carmo.

 

 A minha mãe no jardim do colégio.

 
 
 Joana Sousa
publicado por projecto9b às 17:39

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