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Mai 09

Decidi entrevistar o meu pai, sobre a experiência de vida dos meus avós:

“Dos anos 50-70, os meus pais só falam dos tempos passados na França, divididos em muitos trabalhos, a fim de ganhar dinheiro. A minha mãe trabalhou primeiro, numa empresa que fazia estampagem de desenhos em camisolas e t-shirts, depois, num hotel, a fazer a limpeza dos quartos, isto na região dos Pirenéus. A seguir, trabalhou 18 anos, numa fábrica de plásticos, de nome “Plaxtico”, na região do 91, onde fazia os dorsos das televisões, as frentes das máquinas de lavar a roupa e a loiça, etc.
O meu pai trabalhou em vários sítios, como por exemplo num talho e nas obras, nos Pirenéus. Depois, foi para a região do 91, onde também trabalhou na “Plaxtico”. Mais tarde, esteve numa empresa de transportes, onde transportava mercadorias para diversas exposições (móveis, roupas, cortinados, calçado…). Já nos últimos anos, com a minha mãe, eu e a minha irmã, em Portugal, o meu pai trabalhou a fazer campos de ténis, um pouco por toda a França. O meu pai tem um total de 22 anos de trabalho na França.
Depois, em 1984, regressou a Portugal, a Adgiraldo, aldeia da minha mãe, onde já tinham mandado construir um casa e ainda residem.

 

A minha avó, nos anos 80.
 
Samuel Pires

 

 

publicado por projecto9b às 23:19

“A Aldeia de João Pires localizada no concelho de Penamacor é a minha terra natal desde 1966.

            Tive uma infância bastante feliz. Nesta aldeia, como era em todas as outras aldeias do interior, os seus habitantes dedicavam-se à agricultura por conta própria ou de outrém.

            Os meus pais possuíam algumas terras, mas, a profissão do meu pai era carpinteiro e a minha mãe era doméstica, agricultora e costureira em tempo livre, que não era muito. Até aos 6 anos, acompanhava a minha mãe nas lides da casa e em brincadeiras com os meus avós. Frequentei a Escola Primária da aldeia, o Ciclo Preparatório em Penamacor e, posteriormente, o Externato de Nossa do Incenso, também em Penamacor, onde conclui o 12.º ano.

            A nossa alimentação assentava basicamente em produtos hortícolas, comprando-se apenas a carne de vaca e o peixe. Era uma alimentação bastante saudável, onde nunca faltava o leite e, alguns anos depois, os iogurtes comprados em Penamacor, quando íamos ao mercado.

            Na minha aldeia, os meios de transporte eram a camioneta da carreira, que era aquela que nos levava das aldeias para Penamacor e vice-versa. Também se utilizava, mas já mais dentro das povoações, o burro e a carroça.

            Até à idade de 11 anos, em minha casa, só existia uma telefonia. Posteriormente, os meus pais compraram uma televisão a preto e branco, o que foi uma grande novidade e uma grande festa.

            Nos meus tempos livres, enquanto criança, gostava de brincar á macaca, ao farrapo queimado, ao toca e foge, etc. Já em adolescente, os meus tempos livres eram ocupados a ler, a ver televisão, a ouvir telefonia, fazia renda, cozinhava e, claro, havia os bailes e as festas de verão.       

            A moda, naquela altura era muito diferente de agora. Usavam-se as calças à boca-de-sino e os sapatos com tacão alto, talvez o estilo mais marcante da época. Eu comprava alguma roupa em Penamacor, mas a maioria era confeccionada pela minha mãe.    

    

 

                           Anaísa Santo                           

publicado por projecto9b às 18:44

A minha tia-avó, Ilda Vicente Romão, é viúva do ex-sargento Ernesto Romão, que esteve em Angola entre 1969 e 1974.

Em Abril de 1969, Ernesto Romão é enviado para Angola, em serviço militar. A minha tia-avó viu-se obrigada, então, a ir para lá com uma filha, na altura de 4 anos.

O meu tio-avô tinha lá uma casa alugada. Estiveram ao todo 5 anos em Angola, 2 em Luanda e 3 em Dalatando (antiga Salazar). A vida deles, em Angola, era super descansada. Todos os sargentos tinham direito a um empregado. Como a minha tia-avó não queria ninguém dentro de casa, a fazer as coisas por ela, este empregado rapidamente passou a jardineiro. Aos domingos, juntavam-se muitos vizinhos e amigos e iam passar o dia às fazendas do Estado. Levavam a comida e faziam a festa toda. Faziam estas festas, quer em Luanda, como em Dalatando. Ao contrário de Portugal, os preços em Angola eram muito baixos.

Quando se mudaram para Dalatando, a viagem de autocarro entre Luanda e Dalatando foi escoltada por militares, o caminho todo. De início, ficaram numa casa que pegava com uma das sanzalas dos nativos daquela zona. Passado algum tempo, mudaram-se para a avenida principal de Dalatando, onde tinham tudo: cinema, escola, um colégio de freiras, os legionários e ainda uma igreja.

Então, em Abril de 1974, dá-se o 25 de Abril e, como o meu tio-avô, a maioria dos soldados em Angola começou a tratar das coisas para voltar a Portugal. Os meus tios chegaram cá, em Junho desse mesmo ano.

 

 

 

 

Anaísa Santo

publicado por projecto9b às 18:42

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