21
Mai 09

 

Entrevistei a minha avó e fiz-lhe algumas perguntas sobre como era a vida na aldeia de Adgiraldo, onde ela mora, actualmente.
"Nos anos, 60-70 não havia automóveis como nos dias de hoje, as pessoas deslocavam-se principalmente em transportes públicos, a pé e de bicicleta.
         Nessa altura, as pessoas passavam grandes dificuldades, famílias numerosas e escassez de comida obrigavam a grandes sacrifícios. O que mais se podia comer era as hortaliças criadas nas próprias hortas, carne de porco muito escassamente, peixe principalmente a sardinha que ainda tinha de ser dividida, havendo famílias que tinham de dividir uma sardinha por 3 pessoas, o pão era de fabrico caseiro e feito de trigo ou milho proveniente da searas das próprias pessoas. Tinham moinhos movidos a água para fazer a farinha, tudo era feito manualmente. O pão servia, muitas vezes, como moeda de troca por outro alimento aos vizinhos.
         Nos tempos livres, na minha aldeia, brincávamos na rua com cacos de pratos, coisas velhas, bonecas de trapos e carrinhos de pau, tudo feito por nós, pois não havia dinheiro para brinquedos.
         As pessoas, nessa altura, trabalhavam o linho para fazer o vestuário, tinham teares para fazer as suas próprias mantas de fitas, tudo era pensado de forma a rentabilizar ao máximo, ou seja, lutavam pela sobrevivência. Tempos muito difíceis!"
A casa da minha avó, em Adgiraldo. 
Samuel Pires
 
publicado por projecto9b às 22:53

 

Vou relatar as experiências da vida da minha avó, quando emigrou para França, nos anos 60.
«Nos anos 60, vivia numa aldeia, chamada Adgiraldo, que se situa a 30 km de Castelo Branco, no concelho de Oleiros, freguesia de Orvalho. Tinha então 15 anos, a vida era dura, não havia muito trabalho e o pouco que havia era na agricultura, um trabalho bastante duro e penoso. Não tive oportunidade de estudar, apenas estudei até à terceira classe, pois o mais importante nessa altura era trabalhar para ajudar a família monetariamente e assim podia ter uma vida melhor. Casei no ano de 1967, aos 21 anos, com um jovem da Foz do Giraldo, terra vizinha à minha. Já com o meu marido, depois de ouvir algumas histórias de melhores dias em França, como terra de oportunidades, decidimos emigrar.
Emigrámos para França, onde rapidamente encontrámos trabalho na região do 91, perto de Paris. Nem sempre foi fácil, nem no mesmo local. Nessa altura, havia muita entreajuda entre as pessoas e todos ajudavam às dificuldades uns dos outros. Um ano depois, tive uma filha, mas, devido à grande dificuldade para tê-la comigo e trabalhar, vi-me forçada, aos 9 meses depois do seu nascimento, a trazê-la para Portugal e deixá-la à guarda dos meus pais.
No 25 de Abril de 1974, ainda me encontrava em França e ainda viria a ficar até 1984. Depois, como a vida tinha melhorado, nessa data voltei para Portugal, onde moro até à data, na aldeia Adgiraldo, pois, com o dinheiro amealhado, já tinha mandado construir uma casa na minha aldeia.»

 

A minha avó e o meu avô nos anos 70.
         Samuel Pires

 

publicado por projecto9b às 22:35

 

Relato da minha avó sobre a emigração do irmão:
«Com 17 anos, o meu irmão foi a salto para a França, porque antigamente não queriam ir à tropa, devido a durar 3 anos e depois ainda os mandavam para Angola e para a Guiné. Como havia muita pobreza, esses 3 anos eram muito atraso na vida das pessoas e o meu irmão não era excepção, também não queria fazer o serviço militar. Por isso, o meu irmão esteve 10 anos sem vir a Portugal, inclusive eram os meus pais que se deslocavam a França para o poder ver.

Depois do 25 de Abril, já pôde voltar a Portugal, mas continuou a viver em França. Apenas volta a Portugal de férias, para ver a família.»

 

 

 

Um tio meu.         
Samuel Pires                      
publicado por projecto9b às 22:23

A história que vão ler foi contada pela minha avó, Ana Rodrigues dos Santos Ludovico Costa.

«Mudou tudo muito lentamente devido ao atraso do País.», diz a minha avó.

As pessoas alimentavam-se do sustento que lhes proporcionava o campo, essencialmente batatas e feijão.

Na altura, os tempos livres das pessoas era o campo, pois passavam lá a vida, trabalhavam de sol a sol.

«A saúde era uma miséria.» Não havia médicos onde ir, a minha avó teve febre reumática devido à falta de tratamento da garganta, pois ela apanhava infecções facilmente, umas em seguida das outras, e não recebia tratamento.

Nesta altura, ninguém era obrigado a ir à escola, mas todos os irmãos da minha avó e ela têm o exame da quarta classe.

«Cada um vestia-se consoante as suas posses.», relata a minha avó. A avó dela vestia-se “à sagorra”, pois passava muitas dificuldades e chegava a passar fome durante o inverno.

A minha tia Anabela ao colo da minha avó Ana, o meu tio Paulo sentado no chão e os primos da minha avó.

 

Ana Esteves

 

publicado por projecto9b às 22:11

 

 

A minha tia Delminda tem 61 anos e nasceu, no dia 25/12/1947, na aldeia de Paiágua, freguesia de Almaceda, concelho de Castelo Branco.

 

«Eu, Delminda, tenho 4 irmãos e vivíamos na aldeia de Paiágua.
A nossa alimentação era à base de muita sopa, geralmente de couve, feijão e feijão verde, o que criávamos na horta. Comíamos carne de porco. Matávamos geralmente 2 porcos por ano, para toda a família.
Cozíamos pão, centeio preto, broa e bolo torto.
A minha mãe que Deus tem, quando era pelas festas, fazia filhoses, tigeladas, arroz doce e papas de milho.
Não havia frigoríficos, nem arcas frigoríficas, só havia arcas de madeira, nas quais conservávamos a carne na salmoura. O resto da comida era guardada nos armários.
Eu apenas tirei a 4ª classe, porque os meus pais não tinham condições. Ao fim das aulas, ainda tínhamos de ir trabalhar para o campo: criar o gado, sachar milho, ceifar erva, etc.
Aos 14 anos, comecei a trabalhar na resina e no campo, um serviço bastante duro. Ia à azeitona para fora da aldeia, por volta de 1 mês.
Os meus tempos livres eram, aos domingos, ir ao baile, jogávamos jogos tradicionais, e íamos á ribeira.
As doenças que tínhamos eram curadas com as mezinhas caseiras, não havia injecções, nem comprimidos. Quando tínhamos alguma coisa mais grave, vínhamos a cidade.
A roupa era dividida em 2 partes, duas mudas para a semana e uma para os domingos.
Éramos pobres e tínhamos pouca roupa, mas a que tínhamos era bonita e tinha que durar muito tempo. Eu tinha um irmão que muitas vezes nos mandava roupa de Moçambique.
Não havia transportes, todas as distâncias eram feitas a pé. Íamos à Senhora da Saúde (Padrão), à festa da Almaceda…
Sabíamos as notícias através do rádio, não havia televisão, nem nada de tecnologias como é hoje em dia.
E foi assim a minha mocidade, na minha aldeia.»
 
 
Ana Marques

publicado por projecto9b às 22:06

A história que vão ler foi contada pela minha avó, Ana Rodrigues dos Santos Ludovico Costa.

Os soldados iam para as colónias combater, para defender a Pátria. Um era o irmão da minha avó, José Ludovico, e outro o irmão do meu avô, José Barreto Costa. Ambos estiveram nas colónias cerca de dois anos.

Quando regressaram, o irmão da minha avó tinha contraído uma doença chamada Paludismo. Esteve muito mal, “vinha quase morto”. relata a minha avó, mas conseguiu recuperar, ficando apenas com alguns traumas.

Outro senhor, António Elviro, o acordeonista mais antigo d Ladoeiro, a terra da minha avó, actualmente, contou-lhe que, em combate, sofreu um ataque por parte dos soldados inimigos, que o deixou só com parte dos intestinos e metade do fígado. Hoje em dia, este senhor é reformado da tropa.

José Ludovico, irmão da minha avó.

 

José Barreto Costa, irmão do meu avô.

Ana Esteves

publicado por projecto9b às 22:03

A minha avó contou-me que, nas aldeias, as camisas dos homens eram de linho, com a parte da frente de seda, e as calças eram de fazenda amarela de serrubeque, um tecido que já não se vende. As mulheres usavam saias compridas até aos pés, batas de linho, lenços de seda, blusas e calçavam sapatos rasos de atacadores que o sapateiro fazia.

Mais tarde, as raparigas mais novas usavam umas saias curtinhas às pregas, vestidos às flores com folhos, sandálias e tinham cabelos compridos soltos.

As crianças, quando nasciam, usavam baetas e fraldas de pano.

Quando morria alguém, as mulheres vestiam-se todas de preto e colocavam um xaile pela cabeça. Os homens não cortavam a barba durante um mês e usavam o gabão, um casaco preto comprido, pela cabeça.

 

A minha avó Lúcia Rodrigues

Mara Ribeiro

publicado por projecto9b às 07:19

“Com os meus 20 anos, parti no paquete Uíge, em 20\06\1964, para a Guiné.
A viagem demorou 5 dias e 5 noites.
No 3º dia da chegada a Bissau, parti para Bafatá. Passadas 48 horas, como condutor de carros de combate, fui obrigado a partir para o mato, cerca das 22 horas. Deparámos com um grande tiroteio, ao qual ripostámos da mesma maneira, até de madrugada.
Ao início do dia, fomos fazer a batida ao mato e encontrámos um cadáver do inimigo.
Voltávamos para o quartel e, passadas 8\10 horas, voltámos a ser chamados para outros tiroteios.
E assim se passavam os dias e noites, durante os 24 meses que lá estive.
Estive também destacado em Guileje, 4 meses. Fomos atacados em plena noite, no nosso quartel. Tivemos 2 baixas.
Durante esses 4 meses, quase todos os dias havia grandes tiroteios, entre as nossas forças e as do inimigo.
A nossa alimentação era feita no refeitório do quartel, à base de arroz, massa, carne e, no mato, a chamada ração de combate, enlatados.
Nas nossas horas livres, dávamos umas voltas em Bafatá, jogávamos às cartas e, quando podíamos, comíamos em restaurantes.
Passados 23 meses, regressei a Portugal, no paquete Índia, com partida de Bissau dia 21\05\1966, às 23 horas, demorando a viagem até Lisboa 6 dias e 6 noites, devido ao temporal que se fazia sentir no mar.
 
Rodrigo Gonzalez
 
publicado por projecto9b às 00:36

Maio 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
15
16

19
22
23

27
28
29



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds
arquivos
mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO