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Mai 09

Vida nas Aldeias nos anos 70

 

A minha avó paterna, Maria Marques, aos 8 anos foi para à escola em Lentiscais, onde saiu aos 12 anos com a 4º classe.

Quando saiu da escola foi trabalhar para o campo onde ganhava seis escudos por dia.

Partia segunda-feira de manhã para o monte e só regressava a casa Sábado à noite.

Em relação à alimentação, de manhã bebia o café e comia pão com chouriço, ao almoço era sopa, batatas, feijão e grão cozido acompanhado com carne de porco, feitos no campo em panela de ferro, e à ceia comia os restos do almoço.

A minha avó vestia-se com blusa, saia com um avental por cima, um lenço e chapéu na cabeça, e aos Domingos vestia roupa de festa.

 

Os tempos livres eram apenas ao Domingo, na aldeia, todos iam à missa de manhã e a tarde os homens jogavam a malha ou as cartas, as mulheres faziam rendas e bordados para preparação do seu enxoval, à noite havia sempre baile na aldeia ao toque de concertina. 

Os tempos nessa altura eram muito difíceis comparados com os de agora.

 

João André

 

publicado por projecto9b às 23:21

Este é o testemunho da minha tia Belmira Aires, que viveu o dia 25 de Abril:
 

“Quando se deu a Revolução de Abril de 1974, eu tinha apenas 18 anos, estava há pouco tempo em Lisboa e já trabalhava.  

Como de costume, saí da casa onde tinha um quarto arrendado e dirigi-me para o emprego. Quando lá cheguei, comecei a ouvir uns rumores sobre um possível golpe de estado que se tinha dado em Lisboa.

A rádio começou a transmitir música que normalmente não se ouvia. Fiquei atenta ao desenvolver dos factos e, mais tarde, saí do emprego e fui até à Baixa de Lisboa.

O centro de Lisboa, principalmente o Rossio e a Praça do Comércio, estava apinhado de pessoas, os seus rostos expressavam uma felicidade que jamais tinham sentido. Havia militares por todo o lado e o povo estava com eles. Começaram a pôr cravos nos canos das espingardas, como sinal de paz.

Foi nessa altura que me apercebi de que o governo tinha sido derrubado e o país estava livre de uma ditadura, que durou quase 50 anos. Foi uma revolução sem derramamento de sangue.

A Revolução de Abril, chamada também a Revolução dos Cravos, trouxe a Portugal a liberdade de expressão, o fim do isolamento do país e o regresso daqueles que, devido a serem contra a política imposta pelo regime governamental, tiveram que se exilar noutro país.

Também os presos políticos foram libertados e os militares que se encontravam a combater em Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau (províncias ultramarinas), acabaram por regressar a Portugal, quando se deu a independência das províncias ultramarinas.

 

Para mim, foi um dia que nunca esquecerei e tentarei transmitir, aos meus filhos e netos, o significado de viver em liberdade.”

 


Após anos de ditadura, rostos das pessoas expressavam felicidade.

 

 

Catarina Patrocínio

publicado por projecto9b às 22:52

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