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Mai 09

Vale Ferradas é uma pequena aldeia que pertence à freguesia de Sarzedas, no concelho de Castelo Branco. A minha avó, Lúcia Rodrigues, contou-me como era a vida, nos anos 50, 60 e 70.

 

“Acordava-se de madrugada, isto é, não havia horas, as pessoas não se regulavam pela hora. Normalmente, ao levantar, os homens iam buscar lenha e as mulheres uma canastra de pinhas ou um molho de mato à cabeça.

Quando se chegava a casa, comia-se a dejua (pequeno-almoço). Normalmente era um prato de nabos que sobrava da ceia, cozidos na panela de ferro. No fim de comer, ia-se para o campo: a regar, a sachar, etc.

Vinha-se comer o jantar (almoço). Habitualmente, era uma sardinha para três, com pão centeio escoutchedo (com um buraco entre a côdea e o miolo) ou broa grossa (porque a farinha tinha sido mal moída), batatas fritas às rodelas. Se estas sobrassem, faziam-se velhós e comiam-se à ceia.

Em dias de Verão, a seguir ao jantar, dormia-se a sesta ou iam guardar as cabras. No Inverno, ia-se apanhar a azeitona.

Trabalhava-se até ao pôr-do-sol. Quando se ia para casa, depois de um dia de trabalho, comia-se a ceia, um prato de nabos ou couves cozidos ao lume.

Depois, se não estivesse a chover, ia-se para a rua conviver, se estivesse a chover, ficava-se em casa, ao pé do lume.

Em dias de festa, faziam-se filhós, tigeladas com farinha de milho para ficarem amarelas (quando não havia ovos), trocavam-se os presuntos por toucinho (amarelo e alto porque rendia mais). E, no domingo de festa, fazia-se sopa de grão.” 

 

Mara Ribeiro

publicado por projecto9b às 21:49

 

 

 

Rosa Pereira, a minha avó materna, nascida, na Zebreira, em 1951.

Alimentação

A minha avó conta que a sua alimentação, nos anos 50 e 60, era tudo à base de produtos naturais, vinha tudo da terra fertilizada com o estrume, não tinha quaisquer tipos de adubos. Os comerciantes da Zebreira iam buscar os alimentos à “terra fria”,que são as terras situadas perto do sabugal, de onde traziam feijão, cebolas, grão, batatas, frutas… e transportavam os alimentos até à Zebreira, em carroças puxadas por machos. Estes eram os alimentos que se comiam mais, também devido ao seu preço ser mais barato. Conta que aos Domingos os açougueiros (mesmo que carniceiros), matavam borregos e ela ia a casa deles comprar o “meio arrate” (250g de borrego) que era para toda a família comer a acompanhar no jantar de Domingo. Mais tarde, pelos anos 70, conta que já faziam a matança do porco uma vez por ano, no mês de Dezembro, e que era o governo de uma casa para todo o Verão. Em primeiro lugar era comido o toucinho e as morcelas, os chouriços eram guardados para o farnel dos seus pais que andavam a trabalhar nos campos, a fazer os quintos, ceifar o trigo e o centeio. O seu pai ganhava o trigo, depois levava-o para a fábrica e mais tarde a minha avó e sua mãe iam buscá-lo já moído. Em casa, faziam a massa e depois levavam-na para os fornos dos patrões, onde, ao fim, tinham que dar a poia, ou seja, um pão por fornada. Conta também que vinha à Zebreira, uma vez por mês, o peixeiro, que trazia chicharros e sardinhas e ia comprar 3 chicharros por “25 tostões” (moeda antiga) e meio aquilo de sardinhas por 5 tostões e conta que ainda chegou a partilhar uma sardinha com os membros da sua família, e do resto do meio quilo das sardinhas guardavam-nas para a merenda do dia seguinte. Diz que esta alimentação é mais saudável que a dos dias de hoje.

 

Tempos Livres

Os tempos livres da minha avó eram passados a brincar com os colegas da escola, a dançar, a jogar jogos tradicionais, etc. Mais tarde, pelos anos 70, já tinha mais de 16 anos, fazia o seu enxoval e aprendeu a fazer as coisas essenciais para se casar. Por vezes, ia a ajudar os seus pais na agricultura.

 

Saúde

Devido à alimentação ser mais pura, as pessoas eram mais saudáveis. Mas doença toda a vida houve e conta que, quando as pessoas estavam doentes, o doutor ia a casa das pessoas montado num burro e, quando tinham os dentes podres, o doutor arrancava-os a ferro frio com um alicate. Era ele que fazia tudo, até os partos. Nos anos 50, enquanto andava na escola, diz que levou as vacinas para o sarampo, varicela e outras.

 

Educação

Naquela altura, havia mais respeito. Na escola, quando o professor entrava na sala de aula, os alunos tinham que se levantar, estender o braço direito e começar a cantar o Hino Nacional. Os alunos levavam muitos trabalhos de casa e quem não os realizasse levava reguadas nas palmas da mão, até ficarem vermelhas. Quando se ia ao quadro e não se soubesse algo que o professor perguntasse, levavam com uma vara na cabeça até chegar a pontos de começar a deitar sangue pelo nariz. E afirma que agora também havia de ser assim, porque diz que agora há menos respeito e vergonha.

Moda

Nos anos 60 e 70 foi, quando saiu a moda de usar uma saia curta e sapatos de salto alto, a minha avó ainda adoptou essa moda antes de casar e diz que os homens nessa altura usavam as calças à boca-de-sino e cabelos compridos. Na música, recorda as paixões pelo Rock e a música romântica brasileira, que na altura vieram em grande força.

                                                                                                                   Bruno Costa

publicado por projecto9b às 21:42

       O meu avô que emigrou, em 1969, para a Alemanha. A história foi-me contada pela minha avó, visto que ele já faleceu.

       O meu avô emigrou, para a Alemanha, no dia 10 de Abril de 1969. Segundo a minha avó, ele emigrou, pouco tempo depois de ter vindo da Guerra do Ultramar. Ele emigrou, pois, quando voltou a Portugal, viu que a situação financeira estava má. Ao início, a minha avó não concordou com a ideia do meu avô emigrar, pois eles já tinham dois filhos e vinha um terceiro a caminho. Mas como  a situação financeira estava mal e como ele tinha prometido à minha avó que nunca lhe faltaria nada, nem a ela nem aos filhos, ele decidiu emigrar. O meu avô usava muito a seguinte expressão, para convencer e alegrar a minha avó: "Pode não haver para luxos, passeios e ouro, mas, para dar de comer aos meus, dou a volta ao mundo."

O meu avô já na Alemanha com um dos meus tios

 

 Ivo Oliveira

publicado por projecto9b às 15:29

             Esta história foi-me contada pelo meu padrasto, Manuel Ferreira, que viveu mo lugar Lourosa, antes e depois do 25 de Abril e que assistiu às diferenças de antes e depois do 25 de Abril:

 

 

«No tempo do 25 de Abril, os meus pais trabalhavam em fábricas, mas logo que saíam da fábrica iam para o trabalho do campo, de onde faziam a nossa alimentação.

            Eu, juntamente com os meus irmãos, íamos à escola e, logo que voltávamos a casa, íamos a ajudar os nossos pais no trabalho do campo.

            Antes do 25 de Abril, o transporte mais utilizado e o transporte que quase sempre utilizava para ir para a escola era a bicicleta.

            Neste tempo, havia pouca liberdade. Entre outras coisas, por exemplo, as pessoas não podiam falar mal sobre o governo, porque, se eram ouvidos, eram presos pela PIDE e iam para uns fortes que existiam na altura onde as pessoas eram torturadas.

Em relação ao namoro, também não havia muita liberdade. Eu ainda me lembro da primeira namorada que tive, em que nós tínhamos de namorar às escondidas, pois, se éramos apanhados, éramos castigados. Nesta altura, as pessoas que se quisessem casar já tinham de namorar há bastante tempo e o rapaz tinha que ir falar com os pais da rapariga e pedir-lhes a mão da filha. Mas depois do 25 de Abril, os tempos passaram a ser outros. As pessoas já podiam namorar à vontade.

            Realmente, eu vivi as diferenças de antes e depois do 25 de Abril. Eu posso-vos dizer que, depois do 25 de Abril, a vida mudou muito, foi como se tivéssemos mudado de era… passou a haver mais liberdade de expressão, entre outras coisas.»

 

Ivo Oliveira

publicado por projecto9b às 15:17

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