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Mai 09

 

Joaquim Pires dos Reis, Guerra do Ultramar

 “No dia 15 de Janeiro de 1966, nos Escalos de Cima, realizava-se a feira anual que dá pelo nome de Feira de Santo Amaro. O meu namorado, futuro marido, Joaquim da Ascensão Pires dos Reis, recebe a ordem para embarcar para a Guerra do Ultramar. O dia para mim foi de lágrimas, só pensava: Ele abala para a guerra e já não volta mais. A partir desse dia, só nos voltámos a falar por monogramas. Foram dias muito duros, tanto para mim como para ele. No primeiro monograma que recebi, ele contou-me como correra a sua viagem até Angola. Nos seguintes, contava-me como decorriam os dias.

 

Companheiros de guerra a passar o tempo

 

Durante o resto do tempo em Angola, contava-me os poucos serviços que fazia nas ruas e contava os dias para voltar a Portugal.

Só passados alguns anos da sua chegada é que começou a falar mais abertamente do que se tinha passado e do que tinha assistido. Contava que no meio do mato havia autênticos massacres de civis e por vezes até mesmo militares. Assistiu à morte de vários colegas e sempre com medo de ser o próximo.”

 

Casamento, 28 de Julho de 1968, logo após ao seu regresso

 

Amélia Reis

Adaptado por Ana Almeida

publicado por projecto9b às 10:18

     A minha mãe, Vivina Pina, nasceu em 1968 e passou a sua infância na aldeia do Rosmaninhal, concelho de Idanha-a-Nova. Foi lá que, em 1974, começou a Escola Primária. Vivia com os meus bisavós maternos, já que os meus avós maternos estavam emigrados em França.

     A minha mãe conta que gostou muito da sua infância e foi muito feliz, apesar de viver numa aldeia pequena.

     A nível da alimentação, naquela altura, os meus bisavós tinham animais domésticos: porco, do qual se faziam enchidos, tinha galinhas, coelhos e também tinham horta. Uma vez por semana ia uma carrinha com fruta e com peixe, mas o que se tinha em casa escusava-se de comprar.

     Quanto aos tempos livres, a minha mãe lembra-se que os passava a ver televisão a preto e branco ou a brincar, na rua, vários jogos: às escondidas, à apanhada, ao mocho, ao berlinde, tudo servia. Ela diz que era uma “maria-rapaz”. Mas também ajudava os meus bisavós, quando ia a buscar agua à fonte, pois naquela altura não havia água canalizada.

     A minha mãe lembra-se que havia um médico a dar consultas na Casa do Povo, não sabe quantas vezes por semana. Também havia outro médico já idoso lá da aldeia, que dava consultas em casa e as pessoas pagavam-lhe com bens que tinham e não com dinheiro. A minha mãe, uma vez, queimou um pé com água a ferver, quando caiu uma panela que estava à lareira, e teve que ir ao médico. Ela ficou sem andar durante uns tempos, mas nunca faltou à Escola, pois era tão perto de onde ela morava que duas colegas dela, duas irmãs gémeas, iam buscá-la a casa. As gémeas cruzavam os braços e faziam cadeirinha, para a minha mãe se sentar. Ainda hoje a minha mãe fala deste episódio com carinho. À escola, também ia uma carrinha de vez em quando com uns enfermeiros, para verem se as crianças tinham as vacinas em dia. A minha mãe conta que ficavam muito nervosos quando viam as batas brancas.

     A minha mãe fez os actuais 1.º e 2.º ciclos na aldeia, na Escola Primária até ao fim do 4.º ano e depois na Telescola. Aqui, tinha duas professoras, mas davam as aulas pela televisão. Cada disciplina tinha um professor a explicar e os alunos tinham que repetir. Quando acabava a aula, tinham as professoras presentes, para explicarem o que os alunos não perceberam e faziam fichas. Quem tivesse doente, podia acompanhar as aulas em casa.

     Em relação à moda, não se ligava muito a isso. Tinham a roupa de todos os dia e depois tinha-se sempre uma saia ou um vestidinho melhor para os Domingos. Comprava roupa nova na Páscoa e no Natal e a minha mãe tinha sorte, porque os meus avós mandavam sempre encomendas de França.

     Falava com eles pelo telefone de um taxista que vivia perto da minha mãe. Os meus avós, mais ou menos de 15 em 15 dias, telefonavam de França para a casa do taxista, para falar com a minha mãe e os meus bisavós.

 

 

 

A minha mãe Vivina Pina

 

 

 

Nuno Carvalho

publicado por projecto9b às 09:55

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