31
Mai 09

 

Este senhor é o meu avô materno. Nasceu na Zebreira, em 1951, e vai contar uma pequena história da sua vida, na Guerra do Ultramar.
“Dia 9 de Abril de 1973, embarquei no cais de Alcântara Mar, no navio Uíge. Cheguei à Guiné-Bissau, no dia 18, permaneci lá 2 dias e depois fui para Bafatá.
Eu pertencia a um esquadrão de cavalaria que se chamava 8840 Rec Fox Dragões do Leste. A minha especialidade era condutor e pertencia ao 1.º pelotão do mesmo esquadrão, que tinha o nome de Diabos Vermelhos. Conduzia chaimites e uaytes (carros blindados). Como a minha profissão civil era pedreiro, ainda fiz algumas obras, no quartel, como uma cantina e fornos. Como eu era pedreiro, o meu comandante mandou-me para uma vila de alto risco, chamada Canclifá, para fazer tabancos (casa dos africanos). Aquilo era tão perigoso que eu e os meus companheiros fizemos 12 tabancos e destruíram-nos 10 e ainda me destruíram o meu abrigo subterrâneo, onde eu dormia, e depois tive de dormir, na vala, debaixo da mangueira.
A fase mais difícil que lá passei foi quando via cair os meus companheiros que morriam com os ataques de mísseis, morteiros e granadas. Chegavam a pôr minas nas estradas, para, quando os nossos carros e chaimites passassem, rebentarem.
Regressei à metrópole, dia 4 de Setembro de 1974. Estes 17 meses foram os meses mais dolorosos e mais tristes da minha vida. Todos os anos, fazemos um encontro dos Dragões de Leste e ainda encontro companheiros do meu plotão, os Diabos Vermelhos.”

Bruno Costa

publicado por projecto9b às 01:50

 

O meu tio Manuel Beirão, nascido, no Rosmaninhal, dia 2/5/1937, foi para Moçambique, em 1957, e regressou, em 1977.
«Vivi em Moçambique 20 anos, de 1957 a 1977.
Nessa data, fui tropa. Entrei, em 1958, e saí, em 1959. Quando andei na tropa, ainda não havia a guerra em Moçambique.
Mais tarde, trabalhei em várias zonas do mato, onde nunca houve problemas.
Trabalhei na construção, até vir para Portugal. Os meus tempos livres eram ir à praia, à pesca e à caça, com os meus amigos.
A moda lá era andar de camisa e calção, estava sempre muito calor. Usávamos gravata só quando íamos a casamentos. Quase todos os dias tomávamos banho e mudávamos de roupa, porque estava muito calor.
Havia escolas nas aldeias, no meio do mato, onde se podiam tirar até a 4ª classe. Apenas quem tinha condições ia tirar o resto dos estudos para a cidade.
Em relação aos transportes, quando era de uma cidade para outra, ia de autocarro ou de comboios, quando era dentro da própria cidade, andávamos de machibonbo (autocarro).
Para irmos ao médico, tínhamos de nos deslocar alguns quilómetros, a não ser que lá estivesse o médico das tropas portuguesas.
Sabíamos as notícias de Portugal, através da rádio “Rádio Emissora Nacional".
A nossa alimentação era à base de feijão, couves, churrasco, marisco, comíamos galinha landi, que eram as galinhas que só comiam comida do mato e que eram assadas no churrasco com sal preto e piri piri. Comíamos também mandioca, batata-doce…
Havia muitas plantações de cana-de-açúcar, banana, coco, etc. Moçambique era muito rico.
Foi assim a minha vida durante 20 anos em Moçambique. Adorei lá estar e, se não fosse a idade, ainda lá voltava.»

 

Ana Marques

publicado por projecto9b às 01:48

Esta história foi-me contada pela minha mãe Helena Morera:

 
“Bem, eu não nasci numa aldeia, mas, quando completei os meus 11 anos, fui viver para a aldeia das Termas de Monfortinho e foi aí que eu passei a minha adolescência.
Não havia Escola Secundária nas Termas. Tinha de me levantar todos os dias, às 6 horas da manhã, para apanhar o autocarro para Idanha-a-Nova, onde eu estudava, e só regressava a casa por volta das 6 h da tarde.
Como não havia computadores, telemóveis, nem as tecnologias que há hoje em dia, a malta juntava-se em casa uns dos outros, ou então na rua ou no parque, e contávamos anedotas, cantávamos, fazíamos jogos, conversávamos e, aos sábados à noite, íamos ao baile que havia na aldeia.
Relativamente à moda, usávamos calças apertadinhas, sapatilhas sanjo, blusões de napa e era a época dos punks e da música metal.
A nossa alimentação era basicamente igual à de hoje em dia, só não me lembro de haver pizzas, hambúrgueres e os restantes “alimentos plásticos”.
Penso que era uma época em que não tínhamos nada, mas tínhamos tudo.”

 

Sara Morera

publicado por projecto9b às 01:40

30
Mai 09

 

 “Um dia de Páscoa”

“Encontro-me deitado em cima do colchão, enquanto a terra vai caindo das palmeiras que formam o abrigo, e pelas janelas entra o vento e a poeira. Tudo isto porque me encontro tomando conta de um posto de rádio, algures numa tabanca na fronteira da Guiné. Comigo, há um grupo de combate, todos vivendo em abrigos tal como eu. Alguns dos abrigos quase a abater, incluindo o meu. Mas, não se pensava em nada trágico pois era dia de Páscoa e esse dia devia ser passado com alegria.
O dia começou quando um soldado saiu do abrigo, às 3 da manhã, para começar o seu turno de serviço. De repente, deu conta do abrigo prestes a abater e gritou para os dois camaradas, que lá estavam a dormir, os quais acordaram a tempo. Um deles saiu pela porta e o outro pela janela, ferindo-se ainda, mas ligeiramente. O abrigo abateu, com um grande estrondo. O prejuízo foi apenas material, apenas o dia de Páscoa ia ficando memorável para alguns. O resto do dia ia-se passando na mesma monotonia do costume, apenas ao almoço houve mais variedade de comida e mais um pouco de alegria. De tarde, realizou-se uma partida de futebol, a qual durou 30 minutos, pois o campo estava prestes a transformar-se num campo de luta, devido às faltas de alguns. Por isso, o furriel não deixou continuar o jogo. Depois, fomos jantar, o qual decorreu menos animado, ainda com os ânimos alterados do futebol. Passou-se assim um dia de Páscoa.”

Guiné, 29 de Março de 1970

O soldado: José Manuel Domingues dos Santos

 

O meu tio e os companheiros, no dia de Páscoa

 

Cristele Frade

publicado por projecto9b às 21:08

26
Mai 09

Decidi entrevistar o meu pai, sobre a experiência de vida dos meus avós:

“Dos anos 50-70, os meus pais só falam dos tempos passados na França, divididos em muitos trabalhos, a fim de ganhar dinheiro. A minha mãe trabalhou primeiro, numa empresa que fazia estampagem de desenhos em camisolas e t-shirts, depois, num hotel, a fazer a limpeza dos quartos, isto na região dos Pirenéus. A seguir, trabalhou 18 anos, numa fábrica de plásticos, de nome “Plaxtico”, na região do 91, onde fazia os dorsos das televisões, as frentes das máquinas de lavar a roupa e a loiça, etc.
O meu pai trabalhou em vários sítios, como por exemplo num talho e nas obras, nos Pirenéus. Depois, foi para a região do 91, onde também trabalhou na “Plaxtico”. Mais tarde, esteve numa empresa de transportes, onde transportava mercadorias para diversas exposições (móveis, roupas, cortinados, calçado…). Já nos últimos anos, com a minha mãe, eu e a minha irmã, em Portugal, o meu pai trabalhou a fazer campos de ténis, um pouco por toda a França. O meu pai tem um total de 22 anos de trabalho na França.
Depois, em 1984, regressou a Portugal, a Adgiraldo, aldeia da minha mãe, onde já tinham mandado construir um casa e ainda residem.

 

A minha avó, nos anos 80.
 
Samuel Pires

 

 

publicado por projecto9b às 23:19

“A Aldeia de João Pires localizada no concelho de Penamacor é a minha terra natal desde 1966.

            Tive uma infância bastante feliz. Nesta aldeia, como era em todas as outras aldeias do interior, os seus habitantes dedicavam-se à agricultura por conta própria ou de outrém.

            Os meus pais possuíam algumas terras, mas, a profissão do meu pai era carpinteiro e a minha mãe era doméstica, agricultora e costureira em tempo livre, que não era muito. Até aos 6 anos, acompanhava a minha mãe nas lides da casa e em brincadeiras com os meus avós. Frequentei a Escola Primária da aldeia, o Ciclo Preparatório em Penamacor e, posteriormente, o Externato de Nossa do Incenso, também em Penamacor, onde conclui o 12.º ano.

            A nossa alimentação assentava basicamente em produtos hortícolas, comprando-se apenas a carne de vaca e o peixe. Era uma alimentação bastante saudável, onde nunca faltava o leite e, alguns anos depois, os iogurtes comprados em Penamacor, quando íamos ao mercado.

            Na minha aldeia, os meios de transporte eram a camioneta da carreira, que era aquela que nos levava das aldeias para Penamacor e vice-versa. Também se utilizava, mas já mais dentro das povoações, o burro e a carroça.

            Até à idade de 11 anos, em minha casa, só existia uma telefonia. Posteriormente, os meus pais compraram uma televisão a preto e branco, o que foi uma grande novidade e uma grande festa.

            Nos meus tempos livres, enquanto criança, gostava de brincar á macaca, ao farrapo queimado, ao toca e foge, etc. Já em adolescente, os meus tempos livres eram ocupados a ler, a ver televisão, a ouvir telefonia, fazia renda, cozinhava e, claro, havia os bailes e as festas de verão.       

            A moda, naquela altura era muito diferente de agora. Usavam-se as calças à boca-de-sino e os sapatos com tacão alto, talvez o estilo mais marcante da época. Eu comprava alguma roupa em Penamacor, mas a maioria era confeccionada pela minha mãe.    

    

 

                           Anaísa Santo                           

publicado por projecto9b às 18:44

A minha tia-avó, Ilda Vicente Romão, é viúva do ex-sargento Ernesto Romão, que esteve em Angola entre 1969 e 1974.

Em Abril de 1969, Ernesto Romão é enviado para Angola, em serviço militar. A minha tia-avó viu-se obrigada, então, a ir para lá com uma filha, na altura de 4 anos.

O meu tio-avô tinha lá uma casa alugada. Estiveram ao todo 5 anos em Angola, 2 em Luanda e 3 em Dalatando (antiga Salazar). A vida deles, em Angola, era super descansada. Todos os sargentos tinham direito a um empregado. Como a minha tia-avó não queria ninguém dentro de casa, a fazer as coisas por ela, este empregado rapidamente passou a jardineiro. Aos domingos, juntavam-se muitos vizinhos e amigos e iam passar o dia às fazendas do Estado. Levavam a comida e faziam a festa toda. Faziam estas festas, quer em Luanda, como em Dalatando. Ao contrário de Portugal, os preços em Angola eram muito baixos.

Quando se mudaram para Dalatando, a viagem de autocarro entre Luanda e Dalatando foi escoltada por militares, o caminho todo. De início, ficaram numa casa que pegava com uma das sanzalas dos nativos daquela zona. Passado algum tempo, mudaram-se para a avenida principal de Dalatando, onde tinham tudo: cinema, escola, um colégio de freiras, os legionários e ainda uma igreja.

Então, em Abril de 1974, dá-se o 25 de Abril e, como o meu tio-avô, a maioria dos soldados em Angola começou a tratar das coisas para voltar a Portugal. Os meus tios chegaram cá, em Junho desse mesmo ano.

 

 

 

 

Anaísa Santo

publicado por projecto9b às 18:42

25
Mai 09

Testemunho de Maria Manuela Costa:
No dia 25 de Abril de 1974, era eu uma jovem que frequentava o 6º Ano (equivalente ao 10º ano) do Liceu Nun’Álvares, em Castelo Branco.
Quando me levantei, nesse dia, algo de estranho se passava…
A minha mãe, tal como fazia todas as manhãs, tinha ligado o rádio, mas apenas se ouvia música clássica, nem uma palavra, nem notícias…nada! Fiquei bastante intrigada! Normalmente, a rádio passava música diversa e às 8 horas surgiam sempre as notícias… Mas naquele dia… só música clássica! Ainda comentámos se teria morrido algum governante, pois esse era o procedimento das rádios quando algum óbito ocorria entre “gente importante”.
Saí de casa rumo ao Liceu e fui para a aula de Matemática. Durante a aula, um colega pediu à professora para sair, com o pretexto de que ia à casa de banho. Quando regressou, começou um “sussurro” na aula que se ia generalizando… até que a professora questionou sobre o que se passava. Foi então que esse meu colega disse que havia uma revolução, em Lisboa. Começámos todos a conversar uns com os outros, a professora foi dando umas achegas… mas a verdade é que ninguém sabia ao certo o que estava a acontecer.
Soube mais tarde que esse colega era já uma pessoa mais informada politicamente e que tinha colaborado algum tempo antes numa acção que tinha consistido no “aparecimento”, no pátio do Liceu, de uns folhetos com propaganda anti-governamental.
Mas voltando ao dia 25 de Abril… Quando saímos da aula de Matemática, estávamos todos muito ansiosos e curiosos sobre o que se estaria a passar. Já era então voz corrente que havia uma revolução em Lisboa.
As restantes aulas da manhã decorreram com normalidade, mas o assunto do dia era a “revolução”.
Lembro-me que, à hora de almoço, a minha mãe já não queria que eu fosse às aulas, na parte da tarde, podia ser perigoso, dizia ela, nunca se sabe o que pode acontecer numa escola quando há uma revolução no país. Eu devia era ficar em casa sossegadinha, era mais seguro. Eu insisti e lembro-me de dizer: Mãe, em Lisboa deve andar toda a gente na rua a festejar e nós aqui tão longe!...
Acabei por ir para o Liceu, mas as aulas da tarde foram canceladas e então aproveitámos para conversar sobre o que estava a acontecer. A verdade é que, numa pequena cidade do interior, como Castelo Branco, a informação era escassa, mas de uma coisa tínhamos a certeza: algo estava a mudar.
A generalidade dos jovens da minha idade estava muito pouco informada sobre política e, no meu caso, se alguma coisa sabia isso ficou a dever-se ao facto de eu e as minhas amigas termos alguns “pen-friends” de outros países da Europa, com quem trocávamos correspondência havia já algum tempo. Um desses “pen-friend” era francês e numa das cartas perguntava qual o partido político que estava no governo e quais os partidos da oposição, em Portugal. Confesso que ficámos surpreendidas com estas perguntas e foi isso que nos levou a fazer alguma pesquisa sobre o assunto, para podermos responder ao amigo francês. A conclusão a que chegámos, na altura, é que o único partido era o do governo. Grande surpresa para o francês… como devem calcular.
Mas naquela tarde do dia 25 de Abril, em que não houve aulas, tudo começou a fazer sentido, lembrámo-nos da conversa com o francês e começámos a admitir a possibilidade de estar a chegar ao nosso país um regime democrático… como aquele de que o francês nos tinha falado nas suas cartas.
Só ao fim da tarde é que a RTP transmitiu um comunicado lido por José Fialho Gouveia, que dizia: “O Movimento das Forças Armadas” – MFA – na sequência das acções desencadeadas na madrugada de hoje com o objectivo de salvar o País do regime que há longo tempo o oprime…etc, etc…
Só mais tarde, a televisão mostrou as imagens da população de Lisboa, numa grande euforia, acompanhando os militares, pelas ruas, correndo até algum risco de vida. Lembro-me das imagens do Largo do Carmo: a multidão a apoiar os militares, até em cima das árvores havia gente, um grande entusiasmo, palavras de ordem… “O povo, unido, jamais será vencido”, “O povo, unido, jamais será vencido”…
Ao longo da noite, outros comunicados do MFA foram divulgados pela televisão e pela rádio. A mensagem era de que as Forças Armadas tinham libertado o país do regime ditatorial até então vigente e que não tinha sido derramado sangue (soubemos mais tarde que não tinha sido exactamente assim) e que os populares tinham oferecido cravos aos militares, tendo-os colocado nos canos das espingardas – daí a designação de “Revolução dos Cravos”
 
Pedro Costa

 

publicado por projecto9b às 23:22

 

Nome: Francisco dos Santos Cotovio
Data de nascimento: 30 de Maio de 1930
Naturalidade: Cafede
Residência: Castelo Branco
Profissão: Barbeiro (reformado)
 
Naquele dia 25 de Abril de 1974, a televisão e a telefonia, tudo a alta voz, gritavam “Revolução! Fim à ditadura”.
No meu estabelecimento de barbearia, não se falava de outra coisa.
Com o 25 de Abril, terminou o regime de ditadura e veio a democracia; Todos nós ficámos surpreendidos com estas notícias, pois nunca tínhamos ouvido falar destes assuntos.
Com a democracia, muita coisa mudou:
Regressaram os que se tinham ausentado do país por não concordarem com as leis impostas pelo governo e que tiveram de ir para outros países e viver lá, longe das suas famílias. Voltaram depois do 25 de Abril, quando sentiram que já não seriam castigados se voltassem à sua terra.
Os grandes milionários perderam a voz da arrogância, porque só eles queriam mandar. Os proprietários abastados das grandes propriedades perderam o privilégio de quererem tudo para eles.
O novo regime, ou seja, a democracia, veio dividir mais os bens e os lucros foram mais divididos por quem trabalhava e os novos governos estabeleceram o ordenado mínimo.
O povo também ajudou e não entrou em guerra.
O povo comum falava em votar, coisa que muitos nunca tinham ouvido falar, mesmo pessoas de uma certa idade já avançada não sabiam o que era votar.
Também se formaram os partidos políticos que muitas pessoas nem sabiam o que eram! Havia uma grande confusão entre as pessoas, porque o que para uns partidos estava bem, para outros estava mal. Por isso, cada um dava a sua opinião e todos achavam que tinham razão. Esta foi uma grande mudança, porque antes do 25 de Abril não havia liberdade para cada um dizer ou expressar as suas ideias e as suas opiniões, nem as pessoas se podiam juntar, nem fazer reuniões, porque isso era contra a lei;
Também os jornais passaram a poder publicar livremente as notícias que achassem melhor, sem estarem sujeitos à censura.
 
Pedro Costa
 

 

publicado por projecto9b às 23:20

A minha avó vivia em Castelo Branco, mas o meu avô sofreu um acidente de mota, em Alcains, teve muitos problemas numa das pernas e foi internado em Carcavelos. Por isto, ela teve de ir viver temporariamente para Alcochete, em casa da sua prima Lucília, para poder ir visitar o meu avô todos os dias, porque ele ficou internado durante nove meses.

Quando o acidente aconteceu, ela estava grávida de nove meses e sete dias. Antes de ir para Carcavelos, nasceu a minha mãe. Tudo isto aconteceu em Setembro, mas passaram lá o 25 de Abril, onde assistiram à “Grande Revolução”.

A minha avó acordou e, logo pela manhã, ouviu na rádio os generais a dizerem para as pessoas se manterem calmas e para não saírem de casa. Não havia notícias na televisão, só cantavam unicamente “Grândola Vila Morena”. Ouviu-se esta música durante todo o dia. A minha avó nem foi ver o meu avô neste dia, nem saiu de casa, com medo à Revolução.

Estava toda a gente com medo, por causa da PIDE, inclusive um primo e um tio da minha avó. A minha avó tinha imenso medo, porque tinha ouvido dizer que os da PIDE, como castigo, cortavam de dedos e arrancavam as unhas e até os dentes.

Contudo, a minha avó acha que o 25 de Abril foi muito bom, porque acabou com a censura e proporcionou muito mais Liberdade ao povo.

 

A minha avó, o meu tio Paulo, o primo Antero (forcado em Alcochete), a minha tia Anabela e a prima Lucília.

Ana Filipa Costa Esteves

publicado por projecto9b às 19:25

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