13
Mai 09

 

 

O meu tio José Luís das Neves esteve, no Ultramar, em Moçambique. Partiu dia 5 de Janeiro 1970 e regressou dia 7 de Março de 1972. Embarcou no barco Império que, ao fim de 5 dias, sofreu um rombo só por milagre é que não se afundou. Andaram 24 horas à deriva, no mar, já ia quase a chegar ao Senegal. Ao fim desse tempo, veio o outro barco que se chamava Niassa e demorou 5 dias a rebocá-los. Durante esses dias, foram alimentados só por duas bolachas de água e sal, por dia. Chegaram a Cabo Verde cheios de fome. As pessoas que levavam dinheiro foram comer fora e no dia seguinte estavam todos doentes.

A seguir, partiram novamente no navio Niassa e pararam em Luanda, onde se encontrava um colega do meu tio. O chefe do navio disse que à meia-noite era para partirem e então, como queriam aproveitar o tempo, foram beber.

Quando o barco ia mesmo a partir, o meu tio e mais dois colegas chegaram. Seguiram viagem e só pararam no destino, Moçambique. Atracaram, em Maputo, que naquela altura se chamava Lourenço Marques, onde permaneceram apenas um dia. Mas o meu tio e os colegas ficaram de castigo, por terem chegado atrasados, em Luanda.

Continuaram a viagem durante mais três dias, que terminou na cidade da Beira. A seguir viajaram de comboio, durante mais três dias, com destino ao alto distrito de Tête. No Tête foram mais 3 dias de coluna militar, para chegar ao destino, Vuende. Depois de quarenta dias de viagem, ficaram numa pequena vila onde só haviam dois moradores.

Os colegas do meu tio, que eram atiradores, partiram em operação, durante três dias. O meu tio ficou no acampamento, era o responsável do refeitório e tocava clarinete, mas por vezes a música era diferente e tinha algum receio de tocar. Às vezes acordavam com as metralhadoras a fazer barulho. Estiveram, em Vuende, durante oito meses.

 

 

 

Em seguida, seguiram para construir um novo quartel, em Chizampeta, que era desértica. Ao chegarem lá, foi uma máquina limpar o terreno. Tiveram de dormir em tendas, durante três meses. Viveram ataques, em algumas noites, por parte dos terroristas. Morreu apenas uma pessoa. Foi complicado, porque tinham de fazer o quartel e montar vigia ao mesmo tempo. Passados três meses, já era tudo mais estável. Já estavam no quartel, onde se dormia melhor e mais confortável e ao mesmo tempo construíam abrigos subterrâneos para se defenderem dos ataques terroristas.

“Uns momentos melhores outros piores, mas tudo se passou.” – palavras do meu tio. E assim terminaram a comissão, até que os vieram render, isto em Fevereiro de 1972. Vieram substituí-los e voltaram para Lisboa, no barco Niassa.      

 

Jéssica Marques

publicado por projecto9b às 22:22

Portalegre,18.05.09

Mª Jéssica Marques,
Li com muita atenção a descrição que faz sobre a guerra do seu tio, Jose Luis das Neves. Foi agradável ler, Não obstante ela conter várias lapsos cronológicos dos acontecimentos e que de certeza foi induzida involuntariamente pelo seu tio.
É que eu também pertenci exactamente a essa mesma guerra ou seja a C Cav, 2654
Se me der o seu endereço terei muito gosto em lhe enviar pelo correio um trabalho que fiz recentemente sobre essa guerra e que tenho a certeza que o seu tio vai adorar. Até se achar bem eu mandava-o para si e depois você de surpresa convidava-o para o ver
Trata-se de um trabalho em Pawer-point que demora cerca de 1 hora.
Pode se assim entender dizer alguma coisa por esta via ou atravez do meu Email: antoniojpbatista@gmail.com tel. 245 901 548 - 914 912 404
Batista
antonio batista a 18 de Maio de 2009 às 15:57

Ao ler a sua historia dei conta que o seu tio esteve em Ultramar com o meu pai e possivelmente conhecessem-se..Gostava muito que entrasse em contacto comigo porque gostave de presentiar o meu pai com algumas coisas dessa época e poderá me ajudar..

Obrigada
Liliana Silva a 3 de Dezembro de 2010 às 19:31

Maio 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
15
16

19
22
23

27
28
29



Arquivos
Mais sobre mim
Pesquisar
 
blogs SAPO