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Vale Ferradas é uma pequena aldeia que pertence à freguesia de Sarzedas, no concelho de Castelo Branco. A minha avó, Lúcia Rodrigues, contou-me como era a vida, nos anos 50, 60 e 70.

 

“Acordava-se de madrugada, isto é, não havia horas, as pessoas não se regulavam pela hora. Normalmente, ao levantar, os homens iam buscar lenha e as mulheres uma canastra de pinhas ou um molho de mato à cabeça.

Quando se chegava a casa, comia-se a dejua (pequeno-almoço). Normalmente era um prato de nabos que sobrava da ceia, cozidos na panela de ferro. No fim de comer, ia-se para o campo: a regar, a sachar, etc.

Vinha-se comer o jantar (almoço). Habitualmente, era uma sardinha para três, com pão centeio escoutchedo (com um buraco entre a côdea e o miolo) ou broa grossa (porque a farinha tinha sido mal moída), batatas fritas às rodelas. Se estas sobrassem, faziam-se velhós e comiam-se à ceia.

Em dias de Verão, a seguir ao jantar, dormia-se a sesta ou iam guardar as cabras. No Inverno, ia-se apanhar a azeitona.

Trabalhava-se até ao pôr-do-sol. Quando se ia para casa, depois de um dia de trabalho, comia-se a ceia, um prato de nabos ou couves cozidos ao lume.

Depois, se não estivesse a chover, ia-se para a rua conviver, se estivesse a chover, ficava-se em casa, ao pé do lume.

Em dias de festa, faziam-se filhós, tigeladas com farinha de milho para ficarem amarelas (quando não havia ovos), trocavam-se os presuntos por toucinho (amarelo e alto porque rendia mais). E, no domingo de festa, fazia-se sopa de grão.” 

 

Mara Ribeiro

publicado por projecto9b às 21:49

eu sou também do Vale Ferradas e a minha mãe também me contava isto tudo, se bem que ainda comi uns belos pares de nabos e couves e grelos...ah, quanto eu me lembro do tempero daqueles grelos com o azeite e o vinagre que eu nunca consigo fazer igual! a minha mâe ainda me conta hoje, com os seu 92 anos...
Teresa Almeida a 4 de Abril de 2012 às 23:55

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