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Rosa Pereira, a minha avó materna, nascida, na Zebreira, em 1951.

Alimentação

A minha avó conta que a sua alimentação, nos anos 50 e 60, era tudo à base de produtos naturais, vinha tudo da terra fertilizada com o estrume, não tinha quaisquer tipos de adubos. Os comerciantes da Zebreira iam buscar os alimentos à “terra fria”,que são as terras situadas perto do sabugal, de onde traziam feijão, cebolas, grão, batatas, frutas… e transportavam os alimentos até à Zebreira, em carroças puxadas por machos. Estes eram os alimentos que se comiam mais, também devido ao seu preço ser mais barato. Conta que aos Domingos os açougueiros (mesmo que carniceiros), matavam borregos e ela ia a casa deles comprar o “meio arrate” (250g de borrego) que era para toda a família comer a acompanhar no jantar de Domingo. Mais tarde, pelos anos 70, conta que já faziam a matança do porco uma vez por ano, no mês de Dezembro, e que era o governo de uma casa para todo o Verão. Em primeiro lugar era comido o toucinho e as morcelas, os chouriços eram guardados para o farnel dos seus pais que andavam a trabalhar nos campos, a fazer os quintos, ceifar o trigo e o centeio. O seu pai ganhava o trigo, depois levava-o para a fábrica e mais tarde a minha avó e sua mãe iam buscá-lo já moído. Em casa, faziam a massa e depois levavam-na para os fornos dos patrões, onde, ao fim, tinham que dar a poia, ou seja, um pão por fornada. Conta também que vinha à Zebreira, uma vez por mês, o peixeiro, que trazia chicharros e sardinhas e ia comprar 3 chicharros por “25 tostões” (moeda antiga) e meio aquilo de sardinhas por 5 tostões e conta que ainda chegou a partilhar uma sardinha com os membros da sua família, e do resto do meio quilo das sardinhas guardavam-nas para a merenda do dia seguinte. Diz que esta alimentação é mais saudável que a dos dias de hoje.

 

Tempos Livres

Os tempos livres da minha avó eram passados a brincar com os colegas da escola, a dançar, a jogar jogos tradicionais, etc. Mais tarde, pelos anos 70, já tinha mais de 16 anos, fazia o seu enxoval e aprendeu a fazer as coisas essenciais para se casar. Por vezes, ia a ajudar os seus pais na agricultura.

 

Saúde

Devido à alimentação ser mais pura, as pessoas eram mais saudáveis. Mas doença toda a vida houve e conta que, quando as pessoas estavam doentes, o doutor ia a casa das pessoas montado num burro e, quando tinham os dentes podres, o doutor arrancava-os a ferro frio com um alicate. Era ele que fazia tudo, até os partos. Nos anos 50, enquanto andava na escola, diz que levou as vacinas para o sarampo, varicela e outras.

 

Educação

Naquela altura, havia mais respeito. Na escola, quando o professor entrava na sala de aula, os alunos tinham que se levantar, estender o braço direito e começar a cantar o Hino Nacional. Os alunos levavam muitos trabalhos de casa e quem não os realizasse levava reguadas nas palmas da mão, até ficarem vermelhas. Quando se ia ao quadro e não se soubesse algo que o professor perguntasse, levavam com uma vara na cabeça até chegar a pontos de começar a deitar sangue pelo nariz. E afirma que agora também havia de ser assim, porque diz que agora há menos respeito e vergonha.

Moda

Nos anos 60 e 70 foi, quando saiu a moda de usar uma saia curta e sapatos de salto alto, a minha avó ainda adoptou essa moda antes de casar e diz que os homens nessa altura usavam as calças à boca-de-sino e cabelos compridos. Na música, recorda as paixões pelo Rock e a música romântica brasileira, que na altura vieram em grande força.

                                                                                                                   Bruno Costa

publicado por projecto9b às 21:42

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