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Abr 09

 

Barbaído uma pequena aldeia da freguesia de Freixial do Campo, conselho e distrito de Castelo Branco.      

Nos anos 50, a alimentação nas aldeias fazia-se essencialmente da agricultura e dos animais que a pessoas criavam. O meu pai contou-me que durante a semana a alimentação era feita essencialmente pela sopa, depois lá se comia um bocado de pão e queijo, toucinho salgado e enchidos.

O meu pai lembra de estar escondido à espera que a galinha pusesse o ovo para o comer. Como naquela altura o meu avô não tinha terra para semear melancias, o meu pai ia a ver das melancias onde as havia. Semanalmente, ia lá um homem de bicicleta a vender peixe e a minha avó comprava-lhe sardinha. O meu pai ainda se lembra que naquele tempo uma sardinha era para três pessoas e a pessoa que fica com a cabeça comia mais pão.

Quando se comia algo melhor era pelas festas, como por exemplo bolos e carne fresca.

O meu pai, nos seus tempos livres, ia à serra do São Braz a apanhar pinhas para acender o lume, ajudava a minha avó na horta, jogava à bola e andava de bicicleta.

 

  

O meu pai, na horta do Barbaído, com a minha avó

 

Ainda ajudava o seu primo Manuel Baptista, a guardar as cabras do seu pai. Na marmita, o meu primo levava pão frito, ovos fritos e bebia leite fervido com um seixo quente. Depois cortava pão aos bocados e, como não havia colher, comia com um grafo feito de rosmaninho.

A saúde naquela altura fazia-se essencialmente por mezinhas (chás, batatas na testa para as enxaquecas). Ia também pela escola, Um vez por ano, uma carrinha de apoio aos tuberculosos parava na ponte do rio do Tripeiro, onde todos os meninos, incluindo o meu pai, iam a fazer um exame aos pulmões (micro) e também eram vacinados.

Na aldeia do meu pai, havia uma escola que era repartida pelas quatro classes. Para se passar de classe, era necessário ir à escola da sede da freguesia. O exame da quarta classe era feito na cidade de Castelo Branco. O meu pai realizou esse exame na Escola do Castelo.

O pai lembra-se que havia três fatos. O primeiro fato era o de trabalho, para trabalhar durante semana, por vezes com remendos. Havia outro para os Domingos, que era para levar há missa. Este fato tinha o nome de “Fato Domingueiro”. E ainda havia outro para as festas.

Naquela época já havia a camioneta de carreira, que se apanhava na ponte do rio do Tripeiro. Havia duas carreiras, uma delas passava pela povoação do Salgueiro e outra passava na povoação do Salgueiro e na povoação do Palvarinho. O meu pai gostava mais de ir na carreira que ia pelo Palvarinho, porque ia mais tempo a cavalo até Castelo Branco. Ele ainda se lembra de andar de carroça do Barbaído para Castelo Branco e vice versa…  

A aldeia tinha duas telefonias, uma do Sr. Anacleto Braz e outra do Manuel Barata.

 

Filipe Rodrigues

publicado por projecto9b às 17:56

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