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Abr 09

        O meu bisavô materno, chamado Alfredo Seborro, emigrou para França, em Maio de 1964. Vivia no Rosmaninhal, pertencente ao Concelho de Idanha -a-Nova e, nessa altura, ele e mais uns vizinhos da aldeia decidiram emigrar para França. Segundo o que a minha avó materna me contou, o meu bisavô e os outros vizinhos foram a ”salto”, clandestinamente. Não podiam passar nas fronteiras, porque não tinham documentos e seriam presos.  

       Tiveram que pagar sete mil escudos cada um, (naquela época era muito dinheiro) ao “passador”, que era um indivíduo que sabia caminhos secundários e tinha vários conhecimentos por onde passar, evitando fronteira e lugares de fiscalização. Ficava incumbido de os fazer chegar até França, o seu destino, mais propriamente à cidade de Tours.

        A viagem demorou 15 dias, porque a maioria do tempo que andavam era de noite, pelos campos, segundo as indicações que o “passador “ lhes dava, pois de dia o grupo mantinha-se escondido no meio do mato.

         Quando havia zonas em que o “passador” via que não havia perigo de serem apanhados, também os levava de carro. O meu bisavô sofreu muito, durante esta longa viagem de 15 dias. Passou muita fome, mas lá conseguiu chegar ao seu destino.

Chegado à cidade de Tours, em França, o meu bisavô começou logo a trabalhar nas obras e arranjaram-lhe os devidos documentos.

 

 

 

O meu bisavô Alfredo Seborro

 

 

        Em Setembro de1969, os meus avós maternos, João e Maria, a minha bisavó Mariana e a minha mãe Vivina, que tinha apenas um ano de idade, juntaram-se ao meu bisavô, em França.

        Foram do Rosmaninhal até Piedras Albas, Espanha, a pé, pelo campo, com a minha mãe ao colo. Depois um amigo levou-os de carro até Arroyos, onde apanharam o comboio até França (Tours). O único documento que tinham era o Bilhete de Identidade, mas tiveram sorte, pois ninguém lhes pediu nada.

        Quando chegaram, já o meu bisavô tinha uma casinha onde moraram todos juntos. O meu avô João começou logo a trabalhar numa fábrica dos pneus “Michelin” e a minha avó Maria começou a trabalhar nas limpezas, como mulher-a-dias. Enquanto isto, a minha bisavó Mariana ficava com a minha mãe, em casa.

Os meus bisavôs voltaram para Portugal, em Agosto de 1974, quando a minha mãe completou 6 anos de idade, para começar a escola primária, enquanto os meus avós João e Maria ainda ficaram em França mais uns anos, para ganhar mais um dinheiro extra.

 

 

 

A minha bisavó Mariana Folgado

 

 

 

O meu avô João Pina

 

 

 

A minha avó Maria Seborro

 

 

 

 

A minha mãe Vivina Pina

 

 

 

 

Nuno Carvalho

publicado por projecto9b às 22:27

boas Nuno devemos de ser primos pois a minha mãe e do rosmaninhal e chama se iria folgado seborro , eu sou o filipe de lisboa e nunca visitei a terra da minha mãe . parafuso__@hotmail.com
filipe dinis a 23 de Março de 2011 às 23:45

ola a minha mae tambem é do rosmaninhal e é pina folgado.o MEUS AVCOS E PAI tb foram a salto para França
gardete a 26 de Março de 2013 às 01:11

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