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Mar 09

O ano de 1934 começou com a entrada em vigor do Estatuto do Trabalho Nacional pelo Estado Novo, regime pelo qual foi responsável por milhares de vítimas, em situações de tortura, prisões em campos de concentração, perseguições, expulsões do país, exílio para as ilhas e colónias, espalhando um sinal de terror nos portugueses, que proibia os sindicatos livres. Escrito à imagem da Carta del Lavoro, por Mussolini, o documento previa também a criação de novas organizações – os sindicatos nacionais – sujeitados à estrutura corporativa.

Contra mais este passo na construção do Estado fascista em Portugal, as organizações sindicais, convocaram para o dia 18 de Janeiro uma greve geral com o objectivo de derrubar o governo de Salazar.

 

O sindicalismo corporativo contra o qual as principais centrais sindicais lutavam obedecia assim aos princípios:

  • Eram apenas permitidos os sindicatos nacionais, resultantes da prévia aprovação pelo Governo dos seus estatutos. Os que não se submetessem ou não correspondessem ao modelo pretendido pelo Estado Novo seriam dissolvidos;
     
  • Colaboração das classes sociais e do trabalho sob a bandeira do “interesse nacional”, envolvendo a proibição da greve e todos os contactos com as filiações internacionais dos sindicatos;

  • Controlo dos sindicatos pelo Governo, a quem cabia aprovar as direcções eleitas, podendo demiti-las. O Governo tinha ainda poderes de fiscalização, intervenção e orientação de toda a actividade sindical e da contratação colectiva do trabalho.




Para a grande parte das organizações sindicais era impensável a dependência do Estado e a perda de autonomia e liberdade. Esta realidade acaba por gerar elos de união entre elas: a Confederação Geral do Trabalho, a Federação Autónoma Operária , a Comissão Intersindical, bem como alguns sindicatos autónomos, em torno de objectivos comuns.

 

Apesar do difícil entendimento entre as organizações sindicais, o movimento sai para a rua num longo processo de luta social e sindical. Contudo, a falta de apoio militar e a fraca adesão e repercussão nacional levou-o ao fracasso.
Registaram-se greves gerais de carácter pacífico em algumas zonas do país, foram sabotadas estruturas de transportes e comunicações, e confrontos armados com forças policiais em Lisboa e Marinha Grande, onde o movimento atingira grandes repercussões. Mais tarde, a bandeira vermelha ondulou na vila e foi decretado o soviete. Mas, ao contrário do que os organizadores deste levantamento esperavam, o gesto não se repetiu no resto do País e o movimento foi esmagado pela repressão fascista. Apesar de os operários terem vencido, esta revolta permanece até hoje como um exemplo de heroísmo por parte das classes operárias.

 

 

Sara Morera

 

 

 

publicado por projecto9b às 19:41

Vi na televisão que a greve geral registou grande adesão, segundo os sindicatos. Já o Governo desvaloriza os números, situando a adesão nos 18%. Mais uma vez as conclusões divergem.
tv online a 25 de Novembro de 2010 às 01:09

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